sem perspectiva

Ações descoordenadas do governo prejudicarão ainda mais a economia pós-pandemia, diz Dieese

Diretor técnico da entidade, Fausto Augusto Júnior afirma a economia está desaquecida e as pessoas inseguras com o futuro

Rovena Rosa/Agência Brasil
Com o cenário de pandemia, os dados apontam para uma redução da taxa de juros com pouco resultado efetivo na vida das pessoas

São Paulo – O Brasil teve queda na inflação de 0,31% em abril, segundo divulgado na última sexta-feira (8) pelo IBGE. Sinal de que a economia segue em franco desaquecimento durante a crise do novo coronavírus, segundo análise do diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Júnior.

Segundo ele, em um contexto de normalidade a queda da inflação seria uma “boa notícia” e colocaria os recursos financeiros na economia real. Mas com o cenário de pandemia os dados apontam para uma redução da taxa de juros com pouco resultado efetivo na vida das pessoas.

Com medo do futuro, as pessoas estão conservadoras com os gastos, diz Fausto. Essa insegurança, na avaliação do analista, é culpa do governo Bolsonaro. “Ninguém vai gastar sem perspectiva de estabilidade. O governo não consegue perceber que as ações descoordenadas que buscam abrir a economia acabam prejudicando mais a lógica econômica. As pessoas querem ter uma lógica de futuro, mas sem essa expectativa elas não gastam”, observou.

O resultado divulgado pelo IBGE é a menor variação mensal desde agosto de 1998, quando chegou a -0,51%. Trata-se também da primeira deflação registrada no país desde setembro do ano passado, quando o IPCA ficou em -0,04%.