Esfriamento

Dieese alerta para ‘círculo vicioso’ com aumento nas demissões e queda na renda

Apesar de MP que possibilita acordos para redução de jornada e salário em função da pandemia, Dieese alerta para Caged com saldo negativo recorde em abril

Jefferson Peixoto/Secom
Falta de ações do governo Bolsonaro no combate à pandemia agrava incertezas nas economia

São Paulo – O diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Jr., alerta que as medidas tomadas pelo governo Bolsonaro são insuficientes para reduzir os efeitos da pandemia de coronavírus. Dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quarta-feira (27), registraram o fechamento de 860 mil vagas, apenas em abril. Trata-se do maior número já registrado. O Caged não havia sido divulgado neste ano.

O fechamento recorde de postos de trabalho em abril, somado à queda nos salários, apontam para um “círculo vicioso”. Isso deve aprofundar ainda mais a crise, avalia o sociólogo. Ele destaca ainda que os trabalhadores têm sofrido com redução nas jornadas de trabalho e nos salários, previstos na Medida Provisória 936, que deve ser votada hoje na Câmara.

“A diminuição da renda, inevitavelmente, esfria a economia. Para além da própria pandemia, a gente vai entrando naquele círculo vicioso, em que a diminuição da renda diminui o fluxo de recursos na economia. Assim, a economia vai parando cada vez mais”, afirmou à Rádio Brasil Atual nesta quinta-feira (28).

Ele também criticou a falta de planejamento do governo. Segundo o diretor técnico do Dieese, sem medidas claras e objetivas aumentam as incertezas dos empresários, que acabam decidindo por mais demissões.