Em 12 meses, 3,30%

Inflação é menor em março, mas preços dos alimentos disparam

Segundo o IBGE, principal alta foi de produtos consumidos em casa. Gás de botijão também aumentou

Arquivo Agência Brasil
Itens consumidos em casa, como ovo, tomate, batata, cebola e cenoura, ficaram mais caros no mês passado

São Paulo – Sem coleta presencial de dados, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), taxa oficial de inflação no país, variou 0,07% em março, menor resultado para o mês desde o Plano Real, segundo o IBGE. O índice somou 0,53% no primeiro trimestre. Em 12 meses, está acumulada em 3,30%.

De acordo com o instituto, três dos nove grupos que compõem o IPCA tiveram deflação. Mas um dos grupo de maior peso, Alimentação e Bebidas subiu 1,13%, sendo responsável por 0,22 ponto percentual na taxa geral. Foi um provável efeito do maior consumo em casa: a alimentação no domicílio passou de 0,06%, em fevereiro, para 1,40%. Já a alimentação fora foi de 0,22% para 0,51% – o lanche subiu 1,90%, em média, e a refeição caiu 0,10%.

Entre os destaque de alta na inflação de março, o IBGE cita ovo de galinha (4,67%), batata inglesa (8,16%), tomate (15,74%), cebola (20,31%) e cenoura (20,39%). O preço das carnes teve a terceira queda seguida, bem menos intensa do que no mês anterior: de -3,53% para -0,30%.

A comparação de preços se refere aos períodos de 3 a 30 de março em relação a 29 de janeiro a 2 de março. No dia 18 do mês passado, o instituto suspendeu a coleta presencial de preços, devido à pandemia de covid-19. “A partir dessa data, os preços passaram a ser coletados por outros meios, como pesquisas em sites de internet, por telefone ou e-mail”, informa o IBGE.

Outros impactos

Outro grupo com alta em março foi Educação: 0,59%, com impacto de 0,04 ponto. A principal influência, novamente, veio dos cursos regulares, com aumento de 0,74%, “refletindo os reajustes normalmente praticados no início do ano letivo e incorporados no índice nos meses de fevereiro e março”.

O grupo Habitação, que havia caído 0,39% em fevereiro, desta vez teve alta de 0,13%. O preço do gás de botijão subiu 0,60% e o da energia elétrica, 0,12%. Esse item variou de -6,67% (Goiânia) a 4,21% (Rio de Janeiro). Por sua vez, o gás encanado caiu 0,42%, com redução em São Paulo (-0,79%) e no Rio (-0,11%).

Segundo o IBGE, a maior contribuição negativa do mês, de -0,18 ponto, foi do grupo Transportes, que variou -0,90%. Caíram os preços das passagens aéreas (-16,75%) e dos combustíveis (-1,88%). O recuo foi de 2,82% para o etanol, de 1,75% no caso da gasolina, de 2,55% no óleo diesel e 0,78% no gás veicular. Mas o item ônibus urbano subiu 0,32%, com reajustes registrados em Salvador e São Luís, enquanto o trem variou 0,08%.s

Entre as áreas pesquisadas, o menor índice foi apurado no município de Goiânia (0,74%) e o maior, em Campo Grande (0,56%). Na região metropolitana de São Paulo, 0,09%.

INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) variou 0,18%, com variação mínima em relação a fevereiro (0,17%). A taxa soma 0,54% no ano e 3,31% em 12 meses.

Segundo o IBGE, os produtos alimentícios subiram 1,12%, ante 0,13% em fevereiro. Os não alimentícios foram de 0,18% para -0,09%.