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Lula diz que pobres estão pagando caro pelas escolhas de Bolsonaro. ‘Não podemos ser omissos’

Em encontro com economistas, o ex-presidente alertou para a necessidade de organização em um cenário de "briga monstruosa"
Publicado por Gabriel Valery, da RBA
18:24
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"Precisamos transformar nossas informações, que adquirimos, em atitudes políticas para envolver a sociedade"

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o povo brasileiro, sobretudo os mais pobres, está pagando um preço muito alto por escolhas do governo de Jair Bolsonaro que levam ao desmonte da soberania nacional. Para Lula, o conceito de soberania não se restringe ao controle as empresas públicas e do patrimônio brasileiros, mas assegurar a emancipação do povo por meio de empregos decentes, direito ao consumo e educação. “Soberania não é só defender a Petrobras, mas é também emprego, renda, consumo e educação”.

Diante do cenário de privatizações, desmonte do Estado, destruição de direitos trabalhistas e sociais e financeirização da economia, promovidos pela política de Jair Bolsonaro, “não dá para ser omisso”, disse o ex-presidente. “É preciso ficar rouco, gritar na porta do metrô, nos terminais de ônibus, nas ruas, portas de fábricas e bancos. É preciso gritar o que está acontecendo no Brasil, um desmonte total de tudo que construímos em 70 ou 80 anos”, afirmou, durante uma evento com economistas hoje (12), intitulada “Cenários e Propostas para a Solução da Crise Econômica“.

Lula observou que o período econômico atual em relação à soberania nacional é pior do que na época da ditadura civil-militar (1964-1985). “O povo pobre está pagando um preço muito alto. Cabe a nós estender a mão a essa gente. Comer é um direito fundamental que está na Declaração Universal dos Direitos Humanos, na Constituição de 1988 e na Bíblia. Calar é consentir, e é isso que eles querem”, alertou o ex-presidente.

A voz rouca do líder petista é reflexo de uma série de eventos dos quais tem participado nos últimos dias, motivado, segundo ele, por essa vontade de ir à luta. “Eles vão continuar mentindo, privatizando e desmontando. Eles não têm nenhuma preocupação com o povo pobre. O pobre não existe em uma política que domina a financeirização”, disse.

O predomínio do poder financeiro e as novas características do mundo do trabalho, que incluem a fragmentação de estruturas industriais e fragilização de relações trabalhistas, tornam essa batalha mais difícil. “Antigamente eu brigava na Volks, na Ford, na Mercedes. Hoje não tem mais isso. As corporações não têm mais cara. É uma briga monstruosa”, constatou.

A indignação

O enfrentamento às políticas econômicas neoliberais tem ainda a difícil missão de ser um discurso contra hegemônico, mesmo entre possíveis críticos do governo. ” Você tem determinados meios que não concordam com Bolsonaro no ponto de vista político mas que concordam 100% com todas as loucuras que o Guedes faz na economia. Todo santo dia uma reza para que o Guedes continue desmontando e destruindo o Brasil.”

Lula pediu empenho de partidos e sindicatos no trabalho de “animar” a população anestesiada. “Há uma parte da sociedade que foi anestesiada pelo medo, pelo massacre dos meios de comunicação. O massacre é na televisão, em todos os canais que comungam com a visão econômica do Guedes. Quase todas as rádios comungam. Os principais jornais do Brasil que, quando tem um artigo contra, tem 99 favoráveis. E na internet, eles conseguem ter uma participação muito maior”, disse.

“Precisamos trabalhar na construção de narrativas para convencer a sociedade. Precisamos transformar nossas informações em atitudes políticas para envolver a sociedade como única forma de mexer (…) Precisamos convencer os sindicalistas de que é preciso fazer um pouco mais de sacrifício. Temos quase 4 mil sindicatos. Se eles resolverem ir para as ruas defender o emprego, temos um exército potencial. Não estamos conseguindo mobilizar essa gente. O governo quebrou toda a estrutura de garantia do trabalho. Então, os sindicatos vão ter de brigar não com os empresários, mas com o governo e o Congresso”, completou.