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Turismo cai 5% no Brasil de Bolsonaro devido a “imagem corroída”

Violência e intolerância explicam "corrosão" da imagem no exterior, o que leva o estrangeiro a repensar visitas ao país
Publicado por Tiago Pereira, da RBA
14:23
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Apesar das inúmeras belezas e da facilitação de vistos, número de visitantes caiu

São Paulo – O turismo internacional cresceu 4%, de acordo com balanço divulgado pela Organização Mundial do Turismo (OMT), no primeiro semestre. Foram 671 milhões de turistas que passaram a visitar mais destinos no Oriente Médio (8%), além de Ásia e Pacífico (6%). No Brasil, no entanto, a entrada de visitantes estrangeiros caiu 5%, mesmo índice de queda registrado para toda a América do Sul. A crise argentina, de acordo com o órgão das Nações Unidas (ONU), afetou a procura da sua população por viagens pelo continente.

Segundo a pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e presidenta do Conselho de Turismo da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP), Mariana Aldrigui, uma “lista interminável” de motivos teria levado à redução da procura de destinos brasileiros por estrangeiros. Mas ela destaca que esse processo de “corrosão” da imagem internacional do Brasil está também ligado à ascensão do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Para ela, a relação entre turismo e política é “intrínseca”.

“A justificativa do relatório é, sim, uma imagem internacional corroída, coroada com a eleição desse novo governo. A gente não pode esquecer que tivemos, em 2018, o assassinato de Marielle Franco, que repercutiu mundialmente. Uma das consequências é a percepção generalizada de uma violência crescente no país”, disse Mariana durante participação no Bom Para Todos, da TVT.

A presidenta do Conselho do Turismo da Fecomércio comparou a situação do Brasil de Bolsonaro com os Estados Unidos do presidente Donald Trump, que igualmente registrou queda no número de visitantes. Em 2017, Trump barrou a entrada de imigrantes de sete países muçulmanos. A medida teve impacto geral no turismo em todos os outros países.

Por aqui, apesar de o governo ter retirado a necessidade de visto para visitantes dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão, Bolsonaro atacou o turismo LGBT. “Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade. Agora, não pode ficar conhecido como paraíso do mundo gay aqui dentro”, afirmou em abril. Segundo a socióloga Marcia Moussallem, autora do livro Resistir é Refletir, Bolsonaro vem causando retrocessos “em absolutamente tudo”. “Falar em população LGBT é falar em direitos humanos”, ressalta.

Na última semana, o governo federal anunciou o artista plástico Romero Britto e o apresentador Ratinho como embaixadores do turismo brasileiro. A Embratur escolheu, ainda, o ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho, que até a última quinta-feira (11) estava com o passaporte retido, devido a processo judicial por dano ambiental.

Completam a lista dos representantes brasileiros o biólogo Richard Rasmussen, o cantor Amado Batista e a dupla sertaneja Bruno e Marrone. Até o fim do ano, serão 15 embaixadores, segundo a Embratur. Para Mariana, no entanto, o turista utiliza diversas fontes para se informar sobre o destino pretendido, e não vai ser convencido apenas por intermédio de uma propaganda oficial.

 

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