Riscos da venda

Justiça suspende assembleia de fusão da Embraer com a Boeing

Sem informações claras sobre processo de aquisição e seus impactos para os trabalhadores, resultado da reunião de acionistas estaria viciado, diz juiz em decisão liminar a pedido de sindicatos

Divulgação/Smsjc
Embraer

Venda da Embraer pode resultar no desemprego de milhares e falência de fornecedores, destacou o juiz

São Paulo – A pedido dos sindicatos dos metalúrgicos de São José dos Campos, Botucatu e Araraquara, a Justiça Federal de São Paulo mandou suspender assembleia de acionistas da Embraer, que colocaria em votação a venda da empresa para a Boeing, marcada para a próxima terça-feira (26). 

A liminar suspendendo a reunião foi expedida pelo juiz Victorio Giuzio Neto, da 24ª Vara Federal de São Paulo, na última sexta-feira (22). Ele alega que, diante da ausência de informações sobre o processo de fusão, o resultado da votação da assembleia estaria viciado.

O juiz diz que “a deturpação de informação relevante por parte da Embraer” pode inclusive acarretar indenizações futuras, e também fala em “falta de lealdade por omissão” da empresa para embasar a decisão. Além disso, Giuzio Neto afirma que a tomada de decisão sem considerar suas consequências pode resultar no desemprego de milhares de trabalhadores e falência de fornecedores. 

O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região Hebert Carlos diz que a decisão da Justiça de São Paulo coloca pressão sobre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) para que reveja a decisão de apoiar a fusão da Embraer com a gigante norte-americana. Detentor da golden share, ação especial com direito a veto, o governo federal poderia impedir a conclusão da negociação. “A liminar confirma os fatos denunciados pelo Sindicato sobre os riscos gerados pela venda da Embraer. Esta decisão tem de ser levada em conta pelo presidente Bolsonaro, que tem o dever de vetar a venda”, afirmou. 

A Embraer informou que vai recorrer da decisão da Justiça e pretende manter a Assembleia Geral de Acionistas que deve dar o aval para a criação de uma joint venture, formada a partir da fusão das duas companhias. Pelos termos do negócio, a Boeing passaria a controlar 80% da nova empresa, ficando a Embraer com 20%. Após os dez anos de duração dessa sociedade, a companhia estadunidense teria direito à compra dos 20% restantes da empresa brasileira.