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Com venda para a Boeing, Embraer deve sumir do mercado

Segundo Dieese, acordo não é de 'fusão', como anunciado, e não há elementos que garantam a sobrevivência do que vai restar da empresa brasileira. Setor de aviação comercial, o mais lucrativo e que mais emprega, ficará com os americanos
Publicado por Redação RBA
10:10
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Antonio Milena/EBC
Embraer

Aviação comercial, alvo da “fusão”, respondeu por 58% dos lucros da Embraer em 2017

São Paulo – A fusão entre a Boeing e a Embraer, anunciada oficialmente na última segunda-feira (17), compromete a soberania nacional e coloca em risco a viabilidade a longo prazo da empresa brasileira, que deve perder espaço no mercado internacional. Segundo o Dieese, não se trata de uma fusão propriamente, já que os norte-americanos passam agora a deter 80% da nova empresa, e os brasileiros, 20%. 

“Não se trata de uma fusão ou combinação de negócios; se trata de uma compra. E a gente não tem, de fato, elementos econômicos e técnicos que garantam a sobrevivência do que vai restar da Embraer”, afirmou a economista e técnica do Dieese Renata Belzunces ao Brasil de Fato

O acordo, avaliado em U$ 5,26 bilhões, prevê ainda que, após dez anos da dita parceria, a empresa norte-americana tem direito a adquirir os 20% restantes da nova empresa pertencentes à Embraer, quando a brasileira perderia por completo sua participação na gerência nos negócios.

joint-venture criada vai abranger o setor de aviação comercial da empresa brasileira, o mais lucrativo, enquanto permanece com a Embraer os segmentos de aviões de defesa aérea e aviação executiva. Segundo dados oficiais, a produção de aviões comerciais foi responsável por 58% dos lucros em 2017. A aviação executiva respondeu por 26% e o setor de defesa, 16%.

Em nota técnica, o Dieese também alerta que a “fusão” representa risco para o emprego, já que a nova empresa, sob controle da Boeing, poderá remanejar 100% dos trabalhadores das atividades da aviação comercial, ameaçando também postos de trabalho indiretos. Hoje a empresa conta com 16 mil empregos diretos, que contribuem para a dinamização da economia local da região do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo. 

A preocupação com o emprego fez o Ministério Público do Trabalho (MPT) entrar com ação, movida ainda em julho deste ano, para que as duas empresas garantam a manutenção dos postos de trabalho após a “fusão” e que a produção de aeronaves não seja transferida para o exterior. Por ora, Boeing e Embraer negaram os pedidos e a ação aguarda julgamento da Justiça. 

“Se as duas estão dizendo que o negócio é bom, mas não garantem emprego, então, pro trabalhador, é óbvio que não é bom. É bom só para os acionistas. O clima de apreensão é muito grande”, afirmou o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Hebert Carlos.

O governo ainda tem 30 dias para aprovar ou não a dita “fusão” das empresas, mas tanto o atual presidente, Michel Temer (MDB), como o eleito, Jair Bolsonaro (PSL) demonstram que o negócio será validado. 

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