Análise do Dieese

Retomada da economia pós-crise é mais lenta do que de outras recessões

'Considerando o período da crise de 1981-1983, a velocidade de saída da crise foi três vezes maior do que a observada neste momento' avalia diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio

Arquivo EBC/Reprodução
PIB 2018

Dentre os fatores do lento crescimento, Ganz Lúcio aponta os baixos investimentos públicos e privados e o desemprego

São Paulo – O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado na sexta-feira (30) mostra que a retomada econômica do Brasil vem acontecendo a passos lentos, avalia o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, na Rádio Brasil Atual. No terceiro trimestre, o PIB cresceu 0,8%, na comparação com os três meses anteriores, mas o resultado, de acordo com Clemente, é pior do que o observado em outros períodos de recessão.

“Considerando o período da crise de 1981-1983, a velocidade de saída da crise foi 3 vezes maior do que a observada neste momento”, compara o diretor técnico. Segundo ele, os resultados aquém do esperado estão atrelados em parte ao baixo investimento público e privado, ao desemprego, à capacidade do mercado interno em sustentar o consumo e ao endividamento das famílias brasileiras.

Para o próximo ano, Clemente avalia que, apesar da expectativa por um desempenho melhor da economia, a repercussão sobre o emprego ainda deve ser baixa. “Nós teremos em 2019 e 2020, provavelmente, uma economia que vai estar no mesmo tamanho da economia de 2014, dada a queda que a recessão trouxe e a nossa velocidade lenta na saída da crise”, afirma.

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