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Editora Abril, que deu calote em centenas de funcionários, é vendida

Grupo anunciou venda ao advogado Fábio de Carvalho, que passa a comandar a recuperação judicial, com apoio do Banco BTG Pactual, fundado por Paulo Guedes. Mil trabalhadores saíram sem receber
Publicado por Redação RBA
17:34
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Prédio da Marginal Tietê é uma das garantias dadas aos bancos credores, que precisam aprovar a operação

São Paulo – A Editora Abril, que publica as revistas Veja e Claudia, entre outras, anunciou no início da tarde de hoje (20) que suas ações foram compradas pelo empresário carioca Fábio de Carvalho, que passa a comandar ao processo de recuperação judicial da empresa, com dívida bancária de R$ 1,6 bilhão. A operação de venda da empresa foi realizada pelo valor simbólico de R$ 100 mil, já que o empresário assume a dívida.

Carvalho é um advogado especializado na gestão de empresas com dificuldades financeiras e também é ligado ao Banco BTG Pactual. Segundo o jornal Valor Econômico, o empresário assumirá as ações da empresa fundada em 1950 pela família Civita, enquanto o BTG negociará com os bancos credores, que são Bradesco, Santander e Itaú, para comprar a dívida com desconto.

O portal da revista Fórum informou que essa negociação será conduzida pela Enforce, que é a empresa de recuperação de crédito do banco BTG Pactual, que tem entre seus fundadores o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes.

Os detalhes da operação ainda não estão fechados, e a venda das ações precisa ser aprovada pelos bancos credores. Do total da dívida, cerca de R$ 90 milhões correspondem a direitos trabalhistas dos funcionários da editora, que em agosto dispensou centenas de funcionários, sem o pagamento devido.

De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, o calote atingiu 804 trabalhadores celetistas, e cerca de 200 freelancers. Na semana passada, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital acatou petição do sindicato, que pedia a publicação imediata do plano de recuperação da Abril. No dia 6, funcionárias demitidas, freelancers dispensadas e mulheres de demitidos entregaram carta ao juiz, pedindo rapidez no processo. Enquanto isso, trabalhadores faziam protesto diante do Fórum João Mendes, na região central da cidade.