retrocessos

Belluzzo: dono da Localiza e ‘desinvestimento’ farão país andar para trás

Economista critica política 'estreita' do futuro governo Bolsonaro e lamenta projetos de privatizações e esvaziamento de empresas públicas. 'Vamos na contramão da China'

DIVULAÇÃO
Salim Mattar

Nome de Salim, dono da empresa Localiza, foi anunciado no último dia 23, e trabalhará com Paulo Guedes

São Paulo – O nome do empresário Salim Mattar, do setor de locação de veículos, para comandar a nova secretaria de privatizações do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro não é vista com bons olhos pelo economista Luiz Gonzaga Belluzzo. Para ele, falta de experiência do futuro secretário. E o Brasil andará na contramão com a nova política econômica

O órgão, que será vinculado ao Ministério da Economia, a ser comandado pelo economista Paulo Guedes, será responsável por projetos de privatizações e desinvestimentos do governo federal em empresas públicas. “Eu acho curioso existir uma secretaria de desinvestimento, você vai deixar de investir quando o Brasil precisa de uma organização econômica entre o setor público e privado, Vai na contramão da China, por exemplo”, aponta o economista.

O nome de Salim, dono da empresa Localiza, foi anunciado no último dia 23. Segundo o especialista, não dá para saber o tipo de experiência ou conhecimento que o empresário tem sobre os problemas da economia brasileira. “Eu fico preocupado, parece que o Brasil será um balcão de negócios. Essa visão de feira livre dentro de uma economia que possui indústria, infraestrutura e outros setores, é prejudicial. As pessoas acham que é uma simples questão vender o patrimônio público“, lamenta.

Mattar também integra o Instituto Millenium, organização liberal que tem Guedes como um de seus fundadores. No início do ano, chegou a ser sondado pelo Partido Novo para se lançar candidato ao governo de Minas Gerais.

A justificativa de equipe de Bolsonaro para propor privatizações e venda de ativos é abater a dívida pública e reduzir a taxa de juro. Entretanto, Belluzzo explica que essa é uma visão “estreita e precária” de como funciona a dívida.

“Quem detém a dívida pública são os bancos nacionais que usam isso como lastros para fazer operações financeiras. Ou seja, é um ativo financeiro para os bancos e as famílias que aplicam no curto e médio prazo. Além disso, ela é denominada na moeda nacional. É uma bobagem dizer que o Brasil vai quebrar por causa dela, porque só se quebra se você deve moeda estrangeira, pois não tem controle”, explica.

Confira edição da manhã do Jornal Brasil Atual

A reportagem está a partir do minuto 24:30