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Venda da Embraer é questionada no plenário da Câmara

Para especialistas e parlamentares, transação não tem transparência e ameaça a soberania e a segurança nacional

DIVULGAÇÃO/EMBRAER
Embraer

‘Por R$ 3,8 bilhões, Embraer foi vendida ao preço de duas churrascarias’, lamenta metalúrgico

São Paulo – A venda da Embraer, empresa brasileira do setor de aviação, para a norte-americana Boeing foi criticada em audiência pública no plenário da Câmara dos Deputados nesta quarta feira (1º). Trabalhadores, parlamentares e especialistas querem acessar o processo e temem pelos empregos e pela segurança nacional.

O pedido de realização da audiência foi feito pelo deputado Flavinho (PSC-SP), que avalia existir falta transparência sobre o acordo. Ele entende que o Congresso Nacional, mesmo sem poder de veto, deve questionar e cobrar explicações. “A gente está tentando dar visibilidade ao tema, discutir e mostrar os pontos positivos, se é que eles existem, e os pontos negativos. Vamos tentar fazer uma pressão para os órgãos fiscalizarem esse processo”, afirma em entrevista ao repórter Uelson Kalinovski, da TVT.

Pelo acordo firmado no começo de julho deste ano, a norte-americana Boeing vai pagar US$ 3,8 bilhões para ficar com 80% do controle da fusão, que terá atuação exclusiva na área de aviação comercial. Pelos termos anunciados, a Embraer manteria o controle do setor militar, mas a decisão é contestada. “Algumas versões dizem que a área militar estaria fora dessa negociação, mas não se sabe. É um problema de emprego e soberania, mas também de segurança nacional”, critica o economista Paulo Kliass.

Herbert Claros, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, lembra que a empresa brasileira é líder no seu segmento. “A principal concorrente dela em aviões do tamanho dos que produz é a Bombardier. Recentemente, numa feira na Inglaterra, a Bombardier vendeu cinco aviões e a Embraer, 300”, conta.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos foi coautor do pedido da audiência. Entre as preocupações estão os 18 mil empregos diretos e indiretos que estariam em risco. “Qual é a garantia de que os Estados Unidos farão um investimento no Brasil? O emprego e o futuro da Embraer no país são as principais preocupações”, questiona Herbert.

O diretor do sindicato também questiona o valor do negócio, estimado em R$ 3,8 bilhões. “A churrascaria Fogo de Chão foi vendida por R$ 1,8 bilhão, enquanto um dos melhores corpos de engenharia do mundo, construído em 49 anos, foi vendido pelo dobro do preço uma churrascaria.”

A Embraer foi notificada ainda nesta semana para se manifestar a respeito de uma outra ação movida pelo PT. O documento foi assinado pelos deputados Carlos Zarattini, Vicente Cândido, Paulo Pimenta e Nelson Pelegrino e exige a suspensão da fusão entre a empresa brasileira e a empresa norte-americana.

Assista à reportagem do Seu Jornal, da TVT