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defesa da soberania

Vitória dos petroleiros: suspenso fechamento das fábricas de fertilizantes

Petroleiros pressionam e presidente da Petrobras é obrigado a suspender por 120 dias o fechamento das Fafen’s da Bahia e de Sergipe. Trabalhadores comemoram manutenção dos empregos
por Rosely Rocha, especial para o Portal CUT publicado 28/03/2018 18h41
Petroleiros pressionam e presidente da Petrobras é obrigado a suspender por 120 dias o fechamento das Fafen’s da Bahia e de Sergipe. Trabalhadores comemoram manutenção dos empregos
divulgação
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Fábrica de fertilizantes no polo de Camaçari: vitória dos trabalhadores contra o desmonte da empresa estatal

Portal CUT – Pressionado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e Sindipetros, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, recuou e suspendeu por 120 dias o fechamento das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen’s), da Bahia e de Sergipe.

A suspensão começa no dia 30 de junho. Até lá, um Grupo de Trabalho (GT), que reunirá representantes da Petrobras, FUP, Federações das Indústrias e dos governos da Bahia e Sergipe, buscará alternativas para manter a produção das fábricas.  

A medida, anunciada nesta terça-feira (27) pelo  presidente da Petrobras, após reunião no Congresso Nacional, em Brasília, beneficiará milhares de trabalhadores e trabalhadoras que perderiam seus empregos.

Para Deyvid Bacelar, diretor do Sindipetro-BA,  essa vitória momentânea não pode arrefecer a luta. Além disso, diz o dirigente, é preciso ficar atento às pegadinhas da companhia, como é o caso da má utilização do programa Mobiliza, que possibilita a transferência de funcionários concursados para outras unidades da empresa, inclusive para outros estados, em caso de fechamento de fábricas.

"Essa transferência, que está no acordo coletivo dos petroleiros, tem o objetivo de impedir a demissão de concursados em caso de fechamento de fábricas – na Fafen-BA são 300 concursados – mas, nesse momento, o Mobiliza fortalece o argumento da Petrobras a favor do fechamento das fábricas. Por isso, os trabalhadores não devem aderir ao programa”.

A luta continua

O Sindipetro, disse Deyvid, continuará com a mobilização, não só dos petroleiros, como de todo o sistema da Petrobras, que envolve trabalhadores da construção civil, montagem, alimentação, assistência técnica e limpeza, entre outras categorias, para impedir o fechamento das Fafen’s e o desmonte da Petrobras.

"Vamos manter a presença dos sindicatos cutistas dentro das fábricas, orientando os trabalhadores e tirando dúvidas sobre os impactos da privatização da Petrobras e do fechamento das Fafen's".

A luta dos petroleiros contra o fechamento das Fafen’s

A decisão de suspender por 120 dias o fechamento das fábricas de fertilizantes da Petrobras veio graças à pressão e articulações políticas do Sindipetro-BA, que denunciou a decisão do governo golpista em fechar as fábricas, alegando que o balanço financeiro apontou supostos prejuízos nas fábricas, com o objetivo de vender as empresas a preço de banana para grupos internacionais.

Só na Fafen da Bahia foi apontado um prejuízo de R$ 200 milhões. Na do Paraná, R$ 400 milhões.

Esses resultados causaram estranheza aos petroleiros, já que o principal insumo das fábricas é o gás, fornecido pela própria Petrobras, acionista majoritária das fábricas.

O fechamento das fábricas deixaria desempregados milhares de trabalhadores das Fafen’s e das empresas que fornecem serviços para as fábricas de fertilizantes.

Golpe contra a indústria nacional

Segundo a FUP, as fábricas de fertilizantes nitrogenados têm uma importância fundamental para a soberania alimentar do país, já que a agricultura é responsável por 40% do PIB, e o setor dependerá totalmente da importação do produto.

A saída da Petrobras do segmento de fertilizantes, além de comprometer a soberania alimentar – já que o Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo e importa mais de 75% dos insumos nitrogenados –, coloca o país na direção contrária de outras grandes nações agrícolas, cujos mercados estão em expansão. Os especialistas vêm alertando que a demanda global de fertilizantes deve elevar em até 15% os preços do produto.