Conjuntura

Indicadores da Abimaq mostram país estagnado e futuro incerto

De acordo com balanço divulgado pela entidade, a receita líquida interna do setor, de R$ 26,1 bilhões, registra queda de 0,7% na comparação de janeiro a agosto de 2017 com igual período do ano passado

Eduardo Knapp/Folhapress
Indústria

Desempenho do setor de bens de capital é significativo como termômetro econômico da indústria como um todo

São Paulo – Indicadores conjunturais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) referentes a agosto mostram que o país não tem investimento capaz de impulsionar a economia e está estagnado. O desempenho do setor de bens de capital é significativo como termômetro econômico, já que mostra a produtividade da indústria como um todo. No entanto, de acordo com o balanço divulgado, a receita líquida interna do setor, de R$ 26,1 bilhões, registra queda de 0,7% na comparação de janeiro a agosto de 2017 com igual período do ano passado.

Esse dado representa o volume vendido no mercado doméstico. Em relação à receita líquida total, de R$ 44,1 bilhões, a queda foi de 4,1%. Segundo Maria Cristina Zanella, gerente de Competitividade e Economia Estatística da Abimaq, no ano de 2017 não se espera crescimento. “Poderá haver no ano que vem, se as concessões deslancharem, se algo positivo acontecer na indústria de transformação que faça com que os investimentos comecem a ocorrer. Este ano vai ficar igual”, diz.

No momento, segundo ela, são poucos os setores que estão investindo. O principal exemplo é a agropecuária, por conta da chamada “supersafra”. 

A avaliação da Abimaq, segundo Maria Cristina, é de que há “ligeira estabilidade”. Porém, ela reconhece que não vai haver retomada de investimentos “enquanto não começar um processo de crescimento importante que permita fazer esses investimentos”. No momento, diz, a indústria está substituindo equipamentos deteriorados. E o emprego está em queda.

Segundo os dados divulgados pela Abimaq, o setor encerrou agosto com 288,4 mil pessoas ocupadas, queda de 0,2% em relação a julho e de 5,7% em relação a agosto de 2016.

De acordo com Maria Cristina, a recuperação do setor de máquinas e equipamentos é lenta, já que, antes de se poder detectar níveis de atividade e investimento de fato, é preciso primeiro reduzir o nível de ociosidade da indústria de transformação.

A previsão para 2017 é de que haja uma recuperação da ordem de 2% em receitas líquidas, nas vendas de máquinas e equipamentos, tanto no mercado doméstico como externo.

Já o governo de Michel Temer, diz a gerente, adotou medidas que “não são positivas”. “Por exemplo, a mudança da TJLP para a TLP. Isso só encarece o investimento, ainda mais na indústria de máquinas. Por enquanto nós não vemos medidas positivas voltadas para desenvolvimento industrial. Para a Abimaq está muito ruim nesse ponto”, avalia. “Quanto às reformas, a trabalhista, ajuste fiscal, é positivo. Tinha que ser feito. Mas, por enquanto, não surtiu efeito para a economia. Nos últimos meses não temos sinais de retomada.”

Na semana passada, o presidente Michel Temer sancionou a Medida Provisória 777, que estabelece o fim da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e cria a Taxa de Longo Prazo (TLP) como parâmetro do custo dos financiamentos do BNDES. Esses parâmetros são ditados pelo mercado financeiro.