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Sonegação custa ao país sete vezes mais que a corrupção, diz pesquisador

Além do dinheiro que não chega aos cofres públicos, tributação desigual feita no país é outro problema apontado por Gabriel Casnati
por Redação RBA publicado 23/06/2017 14h37
Além do dinheiro que não chega aos cofres públicos, tributação desigual feita no país é outro problema apontado por Gabriel Casnati
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Para pesquisador da ISP, o certo seria questionar para qual classe social há uma carga tributária alta

São Paulo – De acordo com o pesquisador Gabriel Casnati, da área de Justiça fiscal da Internacional de Serviços Públicos (ISP), as perdas do Brasil por causa da sonegação de impostos correspondem a um valor sete vezes maior do que é desviado por corrupção. À Rádio Brasil Atual, ele afirma que, ao ano, cerca de R$ 500 bilhões deixam de ser arrecadados. 

Outro problema apontado por Casnati é a má tributação. Segundo ele, apesar de a mídia vender a ideia de a carga tributária brasileira é alta, na realidade, há uma desigualdade na forma como os tributos recaem sobre a população.

"O certo é questionar para qual Brasil temos uma carga tributária alta. Para quem recebe dois salários mínimos, quase 200 dias de trabalho são perdidos para pagar impostos. Enquanto para a população mais rica, a alíquota que deveria ser de 27,5% no imposto de renda, acaba onerando apenas 106 dias ao ano. Os pobres pagam mais impostos que os ricos", afirma Casnati. "Quando você taxa muito quem tem pouco, e pouco quem tem muito, você terá menos verbas para ter um serviço público com melhor qualidade."

De acordo com o pesquisador, o Brasil possui uma tributação diferente dos países mais desenvolvidos. "Os países mais desenvolvidos taxam heranças e os mais ricos mais que os mais pobres. Entre os países mais ricos, o Brasil é o único que não taxa dividendos dos empresários. A ONU considera o Brasil um dos paraísos fiscais para os mais ricos, porque eles pagam pouco imposto."

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