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Dólar volta a superar patamar de R$ 4 com desaceleração chinesa

Primeiro dia útil do ano começa tenso com queda de 7,02% no mercado acionário da China, provocando reações no mercado brasileiro; para economista, movimento reflete mudança de política monetária nos EUA
por Helder Lima publicado 04/01/2016 13h54, última modificação 04/01/2016 15h35
Primeiro dia útil do ano começa tenso com queda de 7,02% no mercado acionário da China, provocando reações no mercado brasileiro; para economista, movimento reflete mudança de política monetária nos EUA
divulgação
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China: bolsas em queda e suspensão de negócios para proteger de fuga o mercado de capitais

São Paulo – O primeiro dia útil de 2016 começa tenso no mercado internacional. A queda das bolsas chinesas em 7,02% determinou a suspensão de negócios nos mercados acionários no país asiático, por conta de uma nova regra adotada para evitar o comportamento de manada entre os investidores. A medida é tomada toda a vez que a queda ou a alta superar o patamar de 7%.

A retração de hoje (4) na China reflete a queda da atividade industrial, que em dezembro apresentou recuo pelo décimo mês consecutivo.

No mercado brasileiro, o dólar reflete o movimento chinês e apresenta alta de 2,04%, superando o patamar de R$ 4,042. O Ibovespa também começou o dia em queda, de 1,79% (às 10h).

Para o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin, o comportamento de hoje reflete dois fatores: um é a mudança de diretrizes da política norte-americana, que aponta para a elevação dos juros, atraindo capitais internacionais; e o outro é o próprio nível de dinamismo chinês, que progressivamente vai criando uma expectativa de desaceleração.

“Isso tem um efeito contagiante não só para o resto da Ásia, mas também para os países emergentes. É por isso que a expectativa de crescimento dos mercados emergentes vem sendo progressivamente reduzida. O último relatório do FMI mostrou novamente um corte no dinamismo dos países emergentes”, afirma o economista.

“A gente sabe que o que explicou o bom desempenho da economia da América Latina até o aprofundamento da crise internacional foi o ciclo positivo de commodities, que veio do aquecimento Chinês e aparentemente teve o seu fim”, diz Cagnin. “E esse ciclo positivo não deve se repetir. O que temos agora é uma reprecificação, dada a mudança de composição do crescimento internacional, agora com uma expectativa de uma aceleração nos países desenvolvidos.”

Já para o economista e professor da Unicamp Guilherme Mello, além da queda na atividade industrial da China, o comportamento do mercado hoje está ligado, do ponto de vista estrutural, ao projeto de abertura dos mercados de capitais no país, que foi foco de grande euforia em 2015, “mas agora parece que será feito com um pouco mais de cautela”, afirma. O economista lembra que a abertura de mercado faz parte de grandes reformas estruturais do país, mas que desde meados do ano passado, o governo adotou postura mais cautelosa, frente à volatilidade que a abertura mostrou poder provocar.

“Eles estão sentindo um pouco o gosto de você ter mercados financeiros abertos, que envolve enorme volatilidade e a capacidade de intervenção se reduz”, diz. Mello também destaca que apesar da queda na indústria chinesa, o setor de serviços vem em crescimento, como é típico das economias em desenvolvimento. Mas não há como evitar que a China contamine todos os mercados. “Tem a fuga (de capitais) da China, mas ela é geral, e ocorre na direção da liquidez”, diz, “que é representada pelo dólar e pelos títulos dos Estados Unidos”.

Mello ressalta também que o Brasil é mais sensível à China, porque é um grande exportador para o país asiático. “Uma queda na atividade chinesa implica em um enfraquecimento das exportações brasileiras. E isso pode indicar, inclusive, a piora ainda maior dos preços das commodities”, diz, lembrando que nos últimos anos as commodities em alta ajudaram o Brasil a crescer. Um dos problemas é que, inclusive, pode haver uma nova queda nos preços do aço. “Se isso se confirmar, agrava a situação do Brasil”, afirma.