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Copom mantém a taxa básica de juros em 14,25% ao ano

Comitê confirma expectativas de instituições financeiras ao manter a Selic no patamar atual; banco interrompe ciclo de sete altas seguidas

Marcos Santos/USP Imagens
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Juros: nos últimos meses, a taxa passou por um ciclo de sete altas seguidas, desde setembro de 2014

São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), confirmou a expectativa das instituições financeiras e manteve a taxa básica de juros, a selic, em 14,25% ao ano.  O anúncio foi divulgado há pouco na página do banco.

Nos últimos meses, a taxa passou por um ciclo de sete altas seguidas, desde setembro de 2014. Na última reunião, em julho, o aumento foi de 0,5 ponto percentual, elevando a taxa para o nível de outubro de 2006. A manutenção da taxa hoje indica que as expectativas do BC em relação ao controle de inflação estão se cumprindo.

O banco persegue a meta de 4,5% de inflação anual, com teto de 6,5%. Atualmente, a projeção sinaliza que a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), está muito acima do teto da meta, em 9,28%. No próximo ano, a expectativa do mercado financeiro é de inflação menor (5,51%), mas ainda acima do centro da meta.

Segundo uma compilação de juros de taxas mundiais feita pelo portal MoneYou e a consultoria Infinity Asset Management, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking de juros reais. “O país ocupa em todos os cenários o primeiro lugar do ranking como o melhor pagador de juros reais do mundo, acima dos maiores pagadores nominais da atualidade, a Venezuela e a Argentina”, afirma o relatório.

Os juros reais são projetados descontando a inflação acumulada dos últimos 12 meses e também segundo a inflação projetada para o próximo período, também de 12 meses. Nos dois cenários, o país lidera, com 4,28% e 5,01% respectivamente. A situação só melhora um pouco quando o ranking é nominal. Nesse caso, com a atual taxa de 14,25%, o país aparece em terceiro lugar. Argentina e Venezuela lideram, com respectivamente, 23,86% e 19,83%.

Entenda como funciona a reunião do Copom

No primeiro dia, os chefes de departamento apresentam dados sobre a inflação, o nível de atividade econômica, as finanças públicas, a economia internacional, o câmbio, as reservas internacionais, o mercado monetário, entre outros temas econômicos.

No segundo dia, participam da reunião os diretores e o presidente do BC. O chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas também participa, mas sem direito a voto. Após análise da perspectiva para a inflação e das alternativas para definir a selic, os diretores e o presidente definem a taxa. Assim que a selic é definida, o resultado é divulgado à imprensa. Na quinta-feira da semana seguinte, o BC divulga a ata da reunião, com as explicações sobre a decisão.