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Nelson Barbosa defende 'responsabilidade social' do ajuste fiscal

Ministro diz que medidas levarão a cenário positivo no longo prazo
por Redação RBA publicado 22/05/2015 17h01, última modificação 22/05/2015 17h13
Ministro diz que medidas levarão a cenário positivo no longo prazo
Greg Salibian/Carta Capital
Nelson Barbosa

Nelson Barbosa também defendeu a democracia, através da igualdade de renda e oportunidades

São Paulo – O ministro de Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou hoje (22) que o ajuste fiscal é o principal processo para recuperação do avanço econômico. Ele participou da 3ª edição do Fórum Brasil, promovido pela revista CartaCapital, com o tema “Crescer ou Crescer”.

Para Barbosa, reduzir a dívida pública e despesas atrairá investimento privado e aumento nas receitas. “Por mais paradoxal que seja, é o primeiro passo para o crescimento. No curto prazo os resultados são negativos, mas necessários. O crescimento depende de estabilidade da dívida pública, de trazer a inflação para o centro da meta”, afirmou o ministro.

Em razão do estoque de reservas internacionais, a economia do Brasil não está, segundo o ministro, vulnerável. Barbosa explica que essas reservas foram capazes de absorver os impactos da crise, e que a estratégia que será adotada agora é a elevação do superávit, no total de R$ 66 bilhões, por meio dos ajustes de “diversas medidas”.

Entretanto, de acordo com Barbosa, as medidas não são suficientes. Assim, outras iniciativas estão sendo elaboradas para alavancar o crescimento. O ministro dividiu os eixos da reforma em estrutural, institucional e social. “O realinhamento de preço da economia”, é uma das formas para retomada do desenvolvimento brasileiro, mas em um prazo de até um ano e meio, por conta da inflação que seria provocada inicialmente.

Ele acredita que o aumento da produção, combinado com equilíbrio de preços, estimulará as exportações, ou seja, resultará positivamente na produtividade e no crescimento da economia. Segundo o ministro, após os ajustes, o governo poderá promover outras medidas sem aumento de gastos, como a reforma no ICMS – contudo, ele admite que redução de impostos não está nos planos.

Durante o evento, Nelson Barbosa respondeu a críticas feitas pelos movimentos sociais contra as medidas do governo para equilibrar suas contas. “O ajuste fiscal tem de ser responsável do ponto de vista financeiro e também do ponto de vista social”, observou. Ele acredita que o corte pretendido não afetará os avanços alcançados nos últimos anos. “Temos de consolidar o sistema de proteção social e transferência de renda. E avançar na inclusão social via a prestação de serviços públicos de qualidade.”

O ministro do Planejamento também defendeu a igualdade de renda e oportunidades como formas de aprofundar a democracia. “Uma sociedade mais igual é capaz de construir consensos e administrar os seus conflitos de forma mais construtiva do que uma sociedade amplamente desigual.” Para ele, o Estado do bem-estar social veio para ficar no mundo. “Mas se adapta à sociedade. Um Estado com a população jovem requer uma ação diferente de um Estado com a população mais envelhecida”, analisou.

Com reportagens de Wanderley Preite Sobrinho e Marcelo Pellegrini, da CartaCapital, e da Agência Brasil