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Para Belluzzo, Petrobras 'tem futuro promissor' com o atual regime

'Não tem que derrubar partilha coisa nenhuma, tem que manter, é um regime que na verdade premia a Petrobras pelas descobertas e pelo avanço tecnológico', diz economista
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 23/04/2015 19h31, última modificação 24/04/2015 12h12
'Não tem que derrubar partilha coisa nenhuma, tem que manter, é um regime que na verdade premia a Petrobras pelas descobertas e pelo avanço tecnológico', diz economista
Gerardo Lazzari/RBA
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Bellluzzo: "Brasil deve se espelhar no que fez a Noruega"

São Paulo – A manutenção do regime de partilha e a divulgação realista do seu balanço com os resultados de 2014, na noite de quarta-feira (22), são elementos que apontam para um futuro promissor da Petrobras. A opinião é do economista Luiz Gonzaga Belluzzo. “A Petrobras, num regime de partilha, como as coisas estão organizadas hoje, dispõe de ativos valiosíssimos, que vão ser explorados. É muito importante que eles tenham dado ao mercado essa amostra de seriedade de fazer uma reavaliação dos resultados. Tudo isso é muito importante. A empresa tem um futuro muito promissor”, diz.

"Agora é preciso olhar para a frente”, diz Belluzzo, mencionando o crescimento do faturamento da empresa, no contexto do anúncio do balanço pelo presidente da estatal brasileira, Aldemir Bendine, como um dos fatores que devem ser considerados, junto ao que a empresa tem conseguido na exploração do pré-sal. “A Petrobras tem um horizonte de incorporação de novos ativos. As reservas já identificadas foram bem avaliadas. A produção está aumentando sobretudo nas reservas do pré-sal. O futuro da empresa é avaliado por esses critérios, mesmo considerando a queda do preço do petróleo (nos últimos meses)”, diz.

Segundo o balanço, o faturamento da companhia cresceu 10,6% em 2014, de R$ 304,89 bilhões para R$ 337,26 bilhões. A companhia destaca o crescimento de 5% na produção de petróleo e gás natural (no Brasil e exterior) em relação a 2013, atingindo a média de 2 milhões 669 mil barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2014. A produção no pré-sal atingiu média diária de 381 mil bpd em 2014, com recorde em 21 de dezembro, chegando a 713 mil barris.

No entanto, a Petrobras reconheceu o prejuízo de R$ 21,6 bilhões, do qual R$ 6,2 bilhões em consequência de fatores relacionados à Operação Lava Jato.

Lideranças tucanas têm defendido, clara ou veladamente, acabar com o regime de partilha e voltar às concessões. “Não tem que derrubar regime de partilha coisa nenhuma, tem que manter, é um regime que na verdade premia a Petrobras pelas descobertas que fez, porque foi ela quem fez a investigação, promoveu o avanço tecnológico. É importante por causa da destinação dos recursos, sobretudo para educação e saúde e inovação”, avalia Belluzo. “O Brasil tem que fazer isso e se espelhar no que fez a Noruega, que é muito importante, e não ceder.” De um país de economia medíocre nos anos 1960, a Noruega se tornou uma das nações mais prósperas do mundo, a partir de descobertas de grandes jazidas de petróleo no Mar do Norte e atuação estatal forte nesse mercado.

Ontem, após a divulgação dos números da companhia brasileira, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato derrotado à presidência da República, divulgou nota na qual afirma que os dados “mostram mais um capítulo de um filme de má gestão e corrupção, envolvendo a estatal brasileira que há poucos anos era a maior empresa da América Latina e uma das empresas mais eficientes do mundo no seu setor”. Segundo o tucano, “não há nada para comemorar em relação aos dados publicados hoje”.

Na terça-feira, o também senador tucano Aloysio Nunes (SP) publicou artigo intitulado “Em defesa da Petrobras”, no qual afirma que a escolha pelo regime de partilha, no governo Lula, trouxe problemas desde o início. "Já a concessão torna a Petrobras mais eficiente”, diz.

No texto, o representante do PSDB paulista cita o suposto desinteresse de duas companhias americanas. “Vale lembrar que duas gigantes do setor, Exxon e Chevron, desistiram de participar da disputa (do pré-sal). A demora na realização do leilão (o pré-sal foi descoberto em 2007) e a forte interferência estatal foram alguns dos motivos para a desistência dessas empresas”, argumentou Aloysio Nunes.

Bolsa

As ações da Petrobras sofreram grandes oscilações hoje. A cotação das ações preferenciais chegaram a apresentar queda de 9% pela manhã, e as ordinárias chegaram a cair mais de 5% durante o dia. Porém, as ações ordinárias acabaram fechando em alta de 5,63% enquanto as preferenciais caíram 1,52%.