entrevista

Diretor do FMI não vê risco de choque ‘abrupto’ na economia brasileira

Paulo Nogueira Batista Júnior diz que para o Brasil se manter firme vai depender muito da capa­cidade própria de resolver os problemas internos, aumentar a competitividade para ganhar mercados externos e criar empregos

smabc/reprodução

Paulo Nogueira Batista Júnior: “Não existe vento externo a nosso favor”

São Bernardo do Campo (SP) – Durante encontro mantido ontem (11) com a diretoria do Sindicato dos Me­talúrgicos do ABC, o diretor executivo do Fundo Mone­tário Internacional (FMI) no Brasil, Paulo Nogueira Batista Júnior, alertou sobre os reflexos da crise da economia internacional no mercado brasileiro. Em entrevista à Tribuna Metalúrgica, declarou que não existe em um horizon­te visível o risco de choque abrupto no país, como na crise de 2008 e 2009, mas para o Brasil se manter firme vai depender muito da capa­cidade própria de resolver os problemas internos, aumentar a competitividade para ganhar mercados externos e criar empregos.

O que é importante para o trabalha­dor saber dentro do cenário internacional?

A situação interna­cional continua difícil. Houve alguma recuperação na eco­nomia americana, inclusive com queda importante na taxa de desemprego, mas grande parte da economia mundial ainda enfrenta problemas gra­ves. A Europa está em fase de estagnação prolongada, com crises muito agudas em alguns países. O Japão não conseguiu se recuperar e até enfrentou um período de recessão re­centemente, apesar de ter tomado uma série de medidas. A China, que vinha crescendo a taxas extraordinárias, está sofrendo certa desaceleração.

Como fica a economia do Brasil?

Vários fatores que determinam a economia bra­sileira estão evoluindo de maneira adversa. Por exemplo, os preços dos produtos pri­mários que o Brasil exporta, como o minério de ferro e a soja. Muitos deles sofreram queda importante. O Brasil tem seus problemas gerados domesticamente, porém fica mais difícil corrigi-los quando o mercado internacional não está a nosso favor.

De que forma a crise internacional afeta o país?

A crise prejudica e dificulta, mas eu não acredito que exista no horizonte visível um risco de choque abrupto, como o que a economia in­ternacional sofreu em 2008 e 2009. Mas é uma situação delicada que vai depender muito da capacidade do Brasil de resolver os seus próprios problemas. Não vai ter muito vento externo a nosso favor.

Este cenário atrapalha o Brasil e as montadoras?

O Brasil terá de disputar investimentos e mer­cados. É muito importante ter uma política econômica orga­nizada que apoie as grandes empresas brasileiras e as es­trangeiras que operam aqui na busca de mercados. Um fator que atrapalhou muito nos úl­timos 15 anos é a tendência da moeda muito forte no Brasil. Agora, com certa depreciação da moeda, acho que cada vez mais fará sentido a redução dos custos de produzir no Brasil em moeda estrangeira.

Quais os pontos positi­vos e negativos da depreciação da moeda?

Isso implica maior capacidade de competir no exterior e maior capacida­de de substituir a produção internacional por produção doméstica, com empregos gerados aqui. Esse fator depre­ciação, embora traga custo a curto prazo, que é uma alta da inflação, vai ser positivo para recuperar a competitividade internacional da economia.

E quais outras medidas devem ser tomadas?

Tem uma série de políticas de crédito, políticas fiscais coerentes, política in­dustrial, política de bancos públicos. É todo um conjunto de políticas que precisa ser mobilizado para conquistar mercados externos e preservar os mercados internos para a produção nacional.

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