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Turbulências

Desemprego no mundo vai crescer nos próximos cinco anos, prevê OIT

Número de pessoas sem trabalho deve aumentar de 201 milhões no ano passado para 211 milhões em 2018. Desde a crise global, foram perdidos 61 milhões de postos de trabalho
por Redação RBA publicado 20/01/2015 15h32
Número de pessoas sem trabalho deve aumentar de 201 milhões no ano passado para 211 milhões em 2018. Desde a crise global, foram perdidos 61 milhões de postos de trabalho
Kay Nietfeld/efe
desemprego

Situação está melhorando em algumas economias desenvolvidas, como EUA e Japão, mas ainda mostra complicações em grande parte da Europa

São Paulo – A economia mundial mostra algum avanço, mas no mercado de trabalho recuperar os níveis anteriores aos da crise global de 2008 segue sendo "uma árdua tarefa", diz a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em relatório. A entidade identifica "novas turbulências" para o emprego e avalia que as perspectivas ainda são de piora nos próximos cinco anos. A estimativa é que em 2014 mais de 201 milhões de pessoas estavam desempregadas no mundo, 31 milhões a mais do que antes da crise. Serão mais 3 milhões este ano. E esse número poderá chegar a 211 milhões em 2018.

Já são 61 milhões postos de trabalho perdidos desde 2008. A OIT calcula que, incluídas as pessoas que ingressarão no mercado de trabalho nos próximos cinco anos, para recuperar as perdas seria necessário criar 280 milhões de empregos até 2019.

"Os jovens, em particular as mulheres jovens, estão sendo afetadas pelo desemprego de maneira desproporcional", diz a organização. "Em 2014, cerca de 74 milhões de pessoas (de 15 a 24 anos) procuravam trabalho. A taxa de desemprego dos jovens é quase três vezes maior do que a dos adultos. O aumento do desemprego dos jovens é comum a todas as regiões e prevalece apesar da melhora do nível de educação, o que causa mal-estar social."

Segundo a OIT, a situação do emprego está melhorando em algumas economias desenvolvidas, como Estados Unidos e Japão, mas ainda mostra complicações em grande parte da Europa. Nas economias emergentes e em desenvolvimento, a situação está se deteriorando "após um período de melhores resultados em comparação com a média global". Em alguns países, estancaram-se as melhoras em relação ao chamado emprego vulnerável (em condições inadequadas e sem proteção social), que deve se manter em torno de 45% do emprego total nos próximos dois anos. O número de trabalhadores nessa situação aumentou em 27 milhões desde 2012, e agora atinge 1,44 bilhão de pessoas, sendo mais da metade na chamada África Subsaasriana (abaixo do deserto do Saara) e na Ásia Meridional (ao sul do continente, onde fica a Índia, por exemplo). "Ao fim deste decênio, segundo as previsões, um de cada 14 trabalhadores viverá em condições de extrema pobreza."

O relatório prevê que a taxa de desemprego mundial, que era de 5,5% em 2007 e chegou a 6% em 2013, se mantenha na faixa de 5,9% até 2017 e volte a 6% no ano seguinte. Em 2014, a taxa geral foi de 5,9%, chegando a 7,7% entre os 20 países de economias desenvolvidas e a 5% nas emergentes.

No Brasil, onde a taxa caiu de 8,1%, em 2007, para 6,5% em 2013, a estimativa é de que tenha ficado em 6,8% em 2014 e avance para 7,3% até 2017 e 7,4% em 2018. Mas a OIT cita no texto os programas sociais desenvolvidos por países como Argentina, Brasil e Uruguai, "com resultados significativos na redução da pobreza e da desigualdade na última década".

Para este ano, as estimativas são de taxa de desemprego de 7,1% no Brasil; 25% na África do Sul; 4,7% na Alemanha; 9,5% na Argentina; 6,7% no Canadá; 4,8% na China; 23,6% na Espanha; 5,9% nos Estados Unidos; 3,6% no Japão, e 5,3% na Rússia, entre outros países.

Para melhorar o cenário mundial, a organização sugere impulso à demanda agregada e aos investimentos empresariais, além de maior apoio do crédito à "economia real, em particular as pequenas empresas". Também é preciso enfrentar "as persistentes vulnerabilidades sociais vinculadas à frágil recuperação do trabalho, principalmente o elevado desemprego dos jovens, o desemprego de longa duração e o abandono do mercado de trabalho, sobretudo entre as mulheres". A OIT defende reformas "inclusivas" com o objetivo de "promover a qualidade do emprego e atualizar as qualificações".