Home Economia Desemprego medido pelo IBGE tem menor taxa da série em 2014
Mercado de trabalho

Desemprego medido pelo IBGE tem menor taxa da série em 2014

Desde 2003, número estimado de desempregados caiu 54,9%: 1,4 milhão a menos. Mas número de vagas não cresceu pela primeira vez, o que indica estagnação
Publicado por Redação RBA
09:05
Compartilhar:   
desemprego.JPG

São Paulo – A taxa média de desemprego em seis regiões metropolitanas do país, calculada pelo IBGE, teve em 2014 o seu menor resultado na série histórica: 4,8%, ante 5,4% no ano anterior. Foi o quinto recuo seguido. Em 2003, primeiro ano da série, a taxa foi de 12,4%. O desemprego caiu pela diminuição do número de pessoas no mercado de trabalho, já que não houve expansão de vagas.

Também na comparação com 2003, o número estimado de desempregados caiu 54,9%, para 1,176 milhão – ou 1,432 milhão a menos. De 2013 para 2014, a queda foi de 10,8%.

O recuo na taxa de desemprego não veio acompanhado de crescimento de postos de trabalho. O total de ocupados – 23,087 milhões, na média anual – recuou 0,1% ante 2013 (23,116 milhões). É a primeira vez que não há aumento do número de ocupados no ano. Já no período 2003/2014, a ocupação cresceu 24,7%, com acréscimo de 4,567 milhões de pessoas.

O desemprego cai mesmo assim pelo menor número de pessoas no mercado de trabalho. Apenas em dezembro do ano passado, por exemplo, a população economicamente ativa (PEA) recuou 0,5% (menos 116 mil) em relação a igual mês de 2013, indicando menos gente à procura de emprego.

O emprego formal teve alta de 0,9% no ano – a menor variação da série –, com o número de trabalhadores com carteira assinada estimado de 11,731 milhões, na média anual. Mas também cresce na série histórica. A expansão é de 59,6% em 12 anos, chegando a 91,1% na região metropolitana de Recife.

A participação desse grupo em relação aos ocupados subiu de 50,3%, em 2013, para 50,8% – essa proporção era de 39,7% em 2003. Na indústria, vai a 69,6% e na construção, a 40,9%. A maior participação (72,7%) é na atividade de serviços prestados a empresas. No comércio, é de 55,3%. A formalização tem mostrado tendência de alta também nos serviços domésticos, passando de 35,3%, em 2003, para 42,2% no ano passado.

A média anual do rendimento dos ocupados (R$ 2.104,16) cresceu 2,7% no ano. Em relação a 2013, o ganho é de 33,1% (R$ 522,85). A massa de rendimentos – R$ 49,3 bilhões – aumentou 3% no ano e 66% no período acumulado.

Desigualdade diminui

O IBGE segue detectando desigualdades entre os rendimentos recebidos pelos diversos grupos sociais, embora com alguma redução. Em 2014, em média, as mulheres ganhavam 74,2% do recebido pelo homens. A proporção era de 73,6% em 2013 e de 70,8% em 2003.

Os trabalhadores de cor preta ou parda (classificação usada pelo instituto) ganhavam, no ano passado, 58% em relação aos de cor branca. Essa proporção era de 57,4% no ano anterior e de 48,4% no início da pesquisa, em 2003. Nesses 12 anos, o rendimento do primeiro grupo cresceu 56,3% e o do segundo, 30,4%.

A pesquisa do IBGE também indica crescimento da escolaridade. A proporção de pessoas com 11 anos ou mais de estudo aumentou de 48,5% para 49,9% no ano. Em 2003, era de 34,3%.

Dezembro

Apenas no último mês de 2014, a taxa de desemprego foi calculada em 4,3%, mesmo resultado de dezembro de 2013, o que manteve o menor nível da série histórica da pesquisa. O número de desempregados (estimado em 1,051 milhão) recuou 11,8% ante novembro e 0,9% na comparação com dezembro do ano anterior. O rendimento médio dos ocupados (R$ 2.122,10) caiu 1,8% no mês e cresceu 1,6% em 12 meses.