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Dilma define time para área econômica; anúncio pode sair ainda nesta sexta

Joaquim Levy e Nelson Barbosa devem ocupar, respectivamente, ministérios da Fazenda e do Planejamento. Alexandre Tombini deve permanecer na presidência do Banco Central

Fabio Rodrigues Pozzebom/Arquivo aBr
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Dilma tinha considerado inicialmente o presidente Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, para comandar a Fazenda

São Paulo – Confirmado. A presidenta Dilma Rousseff deve anunciar em breve seu time econômico completo. Joaquim Levy e Nelson Barbosa ocuparão, respectivamente, os ministérios da Fazenda e do Planejamento e Alexandre Tombini permanecerá na presidência do Banco Central. Levy foi secretário do Tesouro no governo Dilma e Barbosa, secretário-executivo da Fazenda na gestão de Guido Mantega.

Há ainda outros dois nomes confirmados: a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) será nomeada ministra da Agricultura e o senador eleito Armando Monteiro (PTB-PE), ministro do Desenvolvimento e Indústria. A expectativa era de que o anúncio fosse feito hoje (21), após o fechamento do pregão, mas foi adiado, segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência.

A trinca de Levy, Barbosa e Tombini foi adiantada em reportagem do 247 publicada ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo reagiu com otimismo às altas chances de nomeação ainda hoje, operando em alta de 5,02% às 17h17. Os papéis da Petrobras entraram em disparada de alta, subindo quase 12% no fim do pregão.

A presidente Dilma chamou Barbosa a Brasília no final desta manhã. O 247 apurou que o anúncio oficial da nova equipe econômica será feito hoje, mas após o fechamento do mercado de ações. Leia reportagem do portal Infomoney, que aponta previsão da Nomura pela queda do dólar com a escolha de Levy.

Joaquim Levy esteve à frente do Tesouro Nacional na gestão do ex-ministro Antonio Palocci, quando o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula buscava conquistar a confiança dos agentes econômicos. Levy atualmente é o diretor-superintendente do Bradesco Asset Management, braço de gestão de recursos do Bradesco.

Nelson Barbosa também já integrou o governo, como secretário-executivo do atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, até 2013. E enquanto esteve no governo sempre teve proximidade com a presidenta. Ele chegou a ser especulado como sucessor de Mantega ainda durante os primeiros anos do governo Dilma.

Tombini preside o BC desde o início do governo e também já teve seu nome especulado para assumir a pasta da Fazenda. Um indício de que Tombini se manteria na equipe econômica foi sua participação inesperada na reunião de cúpula do G20 na Austrália no último fim de semana.

Segundo a Reuters, Dilma tinha considerado inicialmente o presidente Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, para comandar a Fazenda, mas na fase atual da montagem dos principais titulares da equipe econômica já está fora de cogitação, segundo outra fonte do governo. A reportagem afirma que a presidenta passou então analisar um outro nome do grupo Bradesco para compor sua equipe econômica.

Dólar mais barato com Levy

A Nomura abriu uma recomendação de venda de dólar hoje, em meio às expectativas de que as indicações de Dilma para sua equipe econômica agradem ao mercado e favoreçam um fortalecimento do real no curto prazo. “Nós acreditamos que Joaquim Levy muito provavelmente será indicado para o time econômico como ministro da Fazenda”, diz o texto assinado por Tony Volpon, diretor de pesquisas para a América Latina.

Volpon comenta que Levy é conhecido como um formulador de políticas ortodoxo e pró- mercado, que deve ajudar na difícil tarefa de ajustar a economia. Atualmente, ele chefia a divisão de gestão de ativos do Bradesco. “Após a nomeação dele nós esperaríamos o anúncio de um plano fiscal crível nas próximas semanas. Tal anúncio seria essencial para restaurar a confiança do mercado”, afirma o texto. O analista diz esperar um plano plurianual que leve a um resultado primário adequado para estabilizar a dívida pública.

O relatório diz ainda que o surpreendente anúncio da China hoje, de cortar as taxas de juros, é positivo para as moedas emergentes no médio prazo. “Esse afrouxamento deve ajudar o desempenho econômico da China e favorecer economias altamente dependentes do dinamismo chinês, como o Brasil.”