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Conforme previsto, Copom interrompe ciclo de altas e mantém juros em 11%

Taxa básica de juros havia subido nas nove reuniões anteriores
por Redação RBA publicado 28/05/2014 21h03, última modificação 28/05/2014 21h17
Taxa básica de juros havia subido nas nove reuniões anteriores
Elza Fiúza/Arquivo ABr
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O Copom chegou a baixar a taxa de juros para 7,25%, mas no último ano reverteu a trajetória

São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter em 11% ao ano a taxa básica de juros. A reunião de hoje (28) durou mais de quatro horas. Havia aposta majoritária na manutenção da Selic em 11%, mas alguns acreditavam em novo aumento, que seria o décimo seguido.

"Avaliando a evolução do cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, manter a taxa Selic em 11,00% a.a., sem viés", diz a nota divulgada pelo BC. Fica a dúvida sobre o período a que se refere a expressão "neste momento".

Pode ter pesado na decisão do Copom a perspectiva de fraco crescimento da economia, diante de uma sequência longa de aperto monetário. Essa visão prevaleceria sobre a da inflação, que tem se mantido próxima ao teto da meta. O atual governo chegou a reduzir os juros até a mínima histórica de 7,25%, mas desde abril do ano passado o BC retomou o ciclo de altas, acumulando 3,75 pontos percentuais desde então. Na próxima sexta-feira (30), o IBGE divulga o PIB do primeiro trimestre.

"O Copom deixou escapar uma boa oportunidade para baixar a Selic e estimular o crescimento econômico, além de forçar uma queda dos juros e dos spreads dos bancos, a fim de baratear o crédito e incentivar o emprego e a distribuição de renda, visando o desenvolvimento do país", afirmou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro ( Contraf-CUT), Carlos Cordeiro. "As altas taxas da Selic para controlar a inflação só têm beneficiado os bancos, os rentistas e grandes especuladores financeiros."

Para ele, neste momento em que ao menos se interrompe o ritmo de altas é preciso "fazer um debate público sobre a utilização desse instrumento de política monetária como a única medida de controle de preços no país". O uso da Selic, acrescenta, tem elevado custo social. "É necessário buscar outras variáveis, em especial o número e a qualidade dos empregos e a remuneração média dos trabalhadores."

A decisão do Copom também foi criticada pelo presidente da Força Sindical, Miguel Torres. "Esta nefasta medida, que mantém a taxa de juros em patamares proibitivos, prejudica a classe trabalhadora. Fica evidente a opção da equipe econômica do atual governo de continuar privilegiando os especuladores, deixando em segundo plano a produção e a geração de empregos", afirmou, em nota. A entidade informa que está preparados atos de protesto para 6 de junho "contra a equivocada política econômica, que está permitindo o crescimento da inflação e desestimulando o setor produtivo, resultando num crescimento pífio, muito aquém de nossas necessidades".

 

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