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Brasil espera que acordo com Argentina garanta liquidez para comércio comum

Publicado por EFE
17:30
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Julio Cesar Rivas/efe
bid

Delegações de 48 países membros do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estão reunidas na Bahia

Costa do Sauípe – O Brasil espera que o acordo assinado na noite de ontem (28) com a Argentina para financiar o comércio bilateral garanta recursos para que os importadores dos dois países possam fazer seus pagamentos, disseram neste sábado (29) fontes oficiais.

A linha de crédito permitirá que os importadores argentinos tenham acesso a recursos e superem a atual escassez de dólares provocada pelo forte desvalorização do peso argentino, afirmou hoje à Agência EFE uma fonte da delegação brasileira que participa da 55ª Assembleia Anual de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), realizada até amanhã na Costa do Sauípe, na Bahia.

O acordo foi assinado em reunião paralela à do BID pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil, Mauro Borges, e o ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof.

Os problemas de liquidez na Argentina reduziram os pedidos de produtos brasileiros por parte do país vizinho, principalmente de automóveis e eletrodomésticos, e vêm afetando a balança comercial do Brasil, que em 2013 teve seu menor superávit em uma década.

“Vamos garantir liquidez nas operações comerciais entre os dois países”, afirmou Borges, citado em comunicado divulgado neste sábado por seu ministério e no qual é explicado que o objetivo do memorando de entendimento assinado “é promover o comércio bilateral mediante a redução da incerteza e do aumento da confiança entre os operadores, além de garantir os pagamentos”.

Apesar de o acordo não fixar o valor da linha de crédito que os bancos privados oferecerão às empresas, o ministro brasileiro declarou que são necessários cerca de US$ 2 bilhões para garantir a liquidez do comércio bilateral.

A nota do Ministério acrescenta que o acordo também compromete os dois países a garantirem o fluxo comercial “livre de restrições que não possam ser justificadas pelo artigo 50 do Tratado de Montevidéu de 1980”, que trata de produtos perigosos como armas, munição e materiais nucleares.

Os exportadores brasileiros de diversos setores, principalmente de calçados, vêm se queixando de diferentes impedimentos argentinos na fronteira.

Borges qualificou o acordo como “o primeiro passo para desbloquear o comércio entre os dois países”. Nele, as partes também se comprometem a “analisar a possibilidade de emitir títulos em moeda nacional, com correção cambial e em períodos compatíveis, em operações de comércio com prazo igual ou superior a 90 dias”.

Trataria-se de uma espécie de seguro cambial no caso de os importadores de algum dos países não contarem com instrumentos financeiros para diminuir o risco do câmbio.

Os problemas de liquidez fizeram precisamente com que as autoridades argentinas enviassem na sexta-feira à reunião do BID uma delegação composta, além de Kicillof, pelo chefe de Gabinete, Jorge Capitanich, o gerente do Banco Central, Juan Carlos Fábrega, e os ministros de Agricultura, Carlos Casamiquela, e de Indústria, Débora Giorgi.

Capitanich declarou, antes de viajar ao Brasil, que seu governo prevê para este ano desembolsos no valor de uns US$ 2,853 bilhões procedentes de diferentes fontes de financiamento, mas quase a metade dessa soma deve ser de fundos procedentes do BID. 

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