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Governo anuncia compra de caças suecos para a FAB por US$ 4,5 bilhões

Alan Marques/Folhapress Dilma, que se encontrou com Saito e Amorim, afirmou que é fundamental defender o patrimônio brasileiro Brasília – O Ministério da Defesa anunciou hoje (18), após 12 anos […]

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Dilma, que se encontrou com Saito e Amorim, afirmou que é fundamental defender o patrimônio brasileiro

Brasília – O Ministério da Defesa anunciou hoje (18), após 12 anos de discussões, a compra de 36 caças supersônicos Gripen-NG, da empresa sueca Saab, por US$ 4,5 bilhões em uma licitação que visava a substituir o modelo Mirage 2000, atualmente utilizado pela Força Aérea Brasileira (FAB).

A escolha foi divulgada em entrevista coletiva pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, e o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito. O avião da Saab concorria com o Rafale F3, da empresa francesa Dassault, e com o Super Hornet F-18, da americana Boeing, cujos valores de aquisição eram, respectivamente, de US$ 8 bilhões e US$ 7,5 bilhões, segundo o anúncio oficial.

De acordo com Celso Amorim, a opção pelo Gripen “levou em conta performance, transferência efetiva de tecnologia e custo, não só de aquisição, mas de manutenção”.

O ministro acrescentou que o governo iniciará agora um longo processo de negociação do contrato para garantir que todas as vantagens oferecidas pela Saab serão cumpridas.

Além de oferecer os modelos mais baratos, a Saab se comprometeu a transferir totalmente a tecnologia e a compartilhar o desenvolvimento e a fabricação de seus caças-bombardeiros com o Brasil.

A transferência de tecnologia é uma das principais exigências do governo nos últimos contratos internacionais na área de defesa, como o que assinou com a França para construir cinco submarinos, um dos quais de propulsão nuclear. “A transferência de tecnologia nos dará a propriedade intelectual de tudo”, disse Juniti Saito na coletiva.

Mais cedo, durante discurso em evento de fim de ano das Forças Armadas, a presidenta Dilma Rousseff adiantou que havia tomado uma decisão. “Somos de fato um país pacífico, mas não vamos ser indefesos. E aí a importância de todo esse processo de industrialização de defesa. Temos muito a avançar, é importante que se tenha consciência que um país com as dimensões do Brasil deve estar sempre pronto a proteger cidadãos, patrimônio e soberania”, afirmou. “Devemos estar preparados para enfrentar qualquer ameaça, defender nosso patrimônio em regiões que já recebem nossa atenção, como é o caso da Amazônia, e em regiões cujo valor estratégico aumentou de forma exponencial, como o caso do pré-sal, nossa Amazônia azul.”

Amorim acrescentou que a transferência de tecnologia também prevê a abertura do código fonte das armas que equipam o caça.

Quanto à fabricação no Brasil, Saito assegurou que a Embraer será uma das principais beneficiadas com a escolha, e que algumas das partes do avião já são construídas no país.

A decisão foi tomada pela presidente Dilma Rousseff poucos dias depois de receber o presidente da França, François Hollande. O chefe de Estado veio ao Brasil junto com o presidente da Dassault, Éric Trappier, o que criou expectativa em relação a um possível acordo com a companhia.

A aquisição faz parte do programa FX-2, de substituição dos caças Mirage em operação. As discussões sobre o processo de modernização das aeronaves começaram há 20 anos, e em 2001, no governo Fernando Henrique Cardoso, foi lançado o programa F-X.

Com Luiz Inácio Lula da Silva no poder, o projeto de compra foi adiado e depois reformulado, recebendo o atual nome. O então presidente chegou a apontar que a Dassault, com o Rafale, tinha uma “vantagem comparativa” por ser “mais flexível na questão da transferência de tecnologia”, mas o negócio não foi concretizado em seus mandatos, e a decisão passou para Dilma.

Em maio deste ano, a Boeing assinou um acordo com a Embraer para vender o avião cargueiro KC-390, da companhia brasileira, e passou a ser considerada a favorita na concorrência. No entanto, com as denúncias de espionagem por parte da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos contra Dilma, a chance de a Boeing vencer a licitação minguou.