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Juros

Copom confirma expectativas e leva Selic a 10%, maior taxa em quase dois anos

Alta, a sexta seguida, foi de meio ponto percentual. Desde abril, crescimento já é de 2,75 pontos
por Redação RBA publicado 27/11/2013 20h16, última modificação 27/11/2013 21h32
Alta, a sexta seguida, foi de meio ponto percentual. Desde abril, crescimento já é de 2,75 pontos

São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou as expectativas do chamado mercado e elevou em meio ponto percentual a taxa básica de juros, a Selic, para 10% ao ano, na sexta alta seguida. É o maior índice em quase dois anos, desde janeiro de 2012, quando a taxa foi a 10,5%. Depois disso, a Selic sempre se manteve em um dígito, atingindo há um ano 7,25%, seu menor nível histórico. Desde o novo ciclo de altas, iniciado em abril, o juro básico aumentou em 2,75 pontos percentuais.

A decisão foi unânime e o aumento, sem viés. Em nota, o Copom fala em "prosseguimento de ajuste da taxa básica de juros, iniciado na reunião de abril de 2013".

Durante um ano, de março de 2012 até março último, o BC manteve um processo de redução de juros, em dez reuniões seguidas. Simultaneamente, o governo ensaiou uma pressão sobre o sistema financeiro, para redução de juros e elevação do crédito. Com a alta da inflação, o Copom mudou de rumo e voltou a ser questionado pelo setor produtivo.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma em nota que "esse novo patamar inibirá a expansão dos investimentos privados". A entidade acredita, inclusive, em novas altas – a exemplo do que aposta boa parte dos analistas. Alguns esperam elevação, mais moderada, nas duas primeiras reuniões do Copom em 2014, a primeira em 14 e 15 de janeiro e a segunda, em 25 e 26 de fevereiro.

"A CNI assinala que os reflexos da elevação dos juros sobre o comportamento da inflação são defasados,  ocorrendo somente no início de 2014. Reconhece, contudo, que o Copom deve continuar monitorando o processo inflacionário. A desaceleração nos preços dos alimentos tem fatores sazonais. Eventuais choques de oferta podem reverter essa trajetória. Além disso, o fim do efeito das desonerações realizadas em 2013 sobre os índices tende a pressionar os preços administrados", diz a entidade, propondo combate à inflação, "sobretudo, com a utilização da política fiscal, a partir da contenção dos gastos públicos correntes".

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias (Ciesp), Paulo Skaf, considera o aumento "equivocado", já que enquanto os países emergentes devem crescer 4,5%, em média, o Brasil terá crescimento em torno de 2,5% este ano. "Isso é muito menos do que precisamos", afirmou Skaf. "Essa política econômica já não funciona mais", acrescentou, pregando "maior controle dos gastos, mais investimento público, mais concessões e menores taxas de juros".

Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Carlos Cordeiro, não há justificativa "plausível" para a alta. "O Copom mostra que é surdo, pois não ouviu o clamor das centrais sindicais que ontem mobilizaram 3 mil trabalhadores em frente ao Banco Central e cobraram menos juros e mais emprego", reagiu. "Mais uma vez cedeu às pressões do mercado financeiro e dos especuladores", criticou o sindicalista.

"A inflação está controlada e o câmbio, estável. Também não há motivos consistentes para avaliações pessimistas sobre os rumos da economia em 2014, como alguns setores econômicos têm feito para pressionar o governo e levar vantagens", disse Cordeiro.

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