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Supersafra causa congestionamento de até 25 quilômetros no Porto de Santos

por Marli Alves Moreira, da Agência Brasil publicado 21/03/2013 19h28, última modificação 21/03/2013 19h39

São Paulo – O escoamento da supersafra de grãos do país já causa problemas de congestionamento no Porto de Santos. Filas de caminhões ocupam grande parte das vias no entorno do terminal. A situação também é crítica nas rodovias que levam ao porto.

De acordo com a Ecovias, concessionária que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, os congestionamentos na Rodovia Cônego Domênico Rangoni, principal ligação portuária para chegar à margem esquerda do terminal, tem apresentado congestionamentos constantes, na média de 20 quilômetros, e chegou hoje, às 11h53, a 25 quilômetros.

“Há um estrangulamento da movimentação de carga já há bastante tempo porque o porto não consegue dar vasão [demanda], e isso tem gerado o cancelamento de alguns contratos”, disse o vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso [Aprosoja], Ricardo Tomczyk.

Segundo o líder rural, a atual safra é 10% maior do que a anterior, devendo atingir entre 23 a 24 milhões de toneladas, sendo que em torno de 60% são para a exportação. Ele não enxerga uma solução no curto prazo e acredita que novos problemas de saturação ocorram na colheita do milho, no segundo semestre.

O presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, justificou o fato de o porto ficar lotado de caminhões, em razão da supersafra de milho, das chuvas e do atraso na colheita da soja, somando aos entraves nas vias terrestres. Segundo ele, o tempo de atracação dos navios e dos embarques tem demorado 30 dias que implica perda, no caso da soja, de US$ 98 por tonelada.

Por causa dos congestionamentos no entorno do Porto de Santos, o Conselho de Autoridade Portuária (CAP) tem feito reuniões extraordinárias, e hoje (21) discutiu o problema com os vários segmentos envolvidos a fim de adotar medidas que amenizem os efeitos.

“Estamos tentando equacionar um momento muito complexo por causa do aumento de grãos e a carência de infraestrutura nas vias terrestres. Problemas que afetam não só o sistema portuário como a vida da população na Baixada Santista”, declarou o presidente do CAP de Santos , Bechara Abdalla Pestana Neves.

Ele informou que entre as medidas que serão adotadas está a exigência de cumprimento de regras na movimentação de caminhões e contêineres, a partir das 8 horas do próximo domingo (24). Os veículos só poderão chegar ao terminal sob o agendamento programado. Caberá à Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) fazer a fiscalização.