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Cúpula do setor elétrico rechaça risco de desabastecimento em 2013

Ministro Édison Lobão e operador do sistema afirmam que aumento das chuvas e entrada em funcionamento das termelétricas afastam fantasma do apagão
por Maurício Thuswohl, da RBA publicado 09/01/2013 18h07, última modificação 09/01/2013 18h31
Ministro Édison Lobão e operador do sistema afirmam que aumento das chuvas e entrada em funcionamento das termelétricas afastam fantasma do apagão

O ministro de Minas e Energia considera que a quantidade de chuvas vai normalizar o abastecimento dos reservatórios (Foto: Valter Campanato. Agência Brasil)

Rio de Janeiro – O ministro das Minas e Energia, Édison Lobão, rechaçou hoje (9) qualquer possibilidade de desabastecimento de energia elétrica no Brasil em 2013 e garantiu que, independentemente do volume de chuvas nos próximos meses, o governo cumprirá a meta de reduzir em até 20% as contas de luz dos consumidores brasileiros a partir do mês que vem. Lobão concedeu entrevista coletiva logo após o término da reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) que traçou um diagnóstico sobre as condições de segurança nos reservatórios das principais usinas hidrelétricas do país.

“A tendência é aumentar a quantidade de chuvas até o fim do período úmido, em abril. Melhorando a hidrologia, vai melhorar o abastecimento dos reservatórios”, disse o ministro, acrescentando que, mesmo que as chuvas não venham, o abastecimento do sistema elétrico nacional será garantido pela entrada em funcionamento das usinas termelétricas, que começaram a ser ativas em outubro: “Contamos com chuva até abril, mas, mesmo que isso não aconteça, o despacho das térmicas garantirá o abastecimento”, disse Lobão.

Parta o diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, as previsões até o final do período úmido são “muito favoráveis” por dois motivos: “Teremos uma agregação de oferta térmica significativa no primeiro quadrimestre, com térmicas a carvão, óleo ou gás como Pecém (Ceará), Suape (Pernambuco), Maranhão 4 e 5 e, Nova Venécia (Espírito Santo). Juntas, irão gerar 3 mil mW até o final de abril. Além disso, deve chover na média nas regiões Sudeste e Sul, próximo da média no Norte e na média ou abaixo da média no Nordeste”, disse.

Presidida por Lobão, a reunião do CMSE começou às 15h. Além do ministro e do diretor do ONS, participaram o secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia (MME), Márcio Zimmermann, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Edvaldo Santanna, e o diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Helder Queiroz, entre outras autoridades do setor.

Antes do início da reunião do CMSE, Tolmasquim afirmou que o que se tem em operação no sistema elétrico atualmente é suficiente para esperar as chuvas chegarem. O presidente da EPE disse ainda que, até o final do primeiro semestre, deverão ficar prontas novas termelétricas com capacidades entre 2.000 e 2.500 megawatts.

Durante a coletiva, Chipp afirmou que mesmo no pior dos cenários – que aconteceria se as usinas termelétricas permanecessem ligadas durante todo o ano – não haverá aumento significativo aos fornecedores: “Se as térmicas estiveram ligadas por todo o ano de 2013, o repasse ao consumidor a partir de janeiro do ano seguinte ficará entre 2% e 3%”, disse. Segundo o diretor do ONS, os encargos para manter as termelétricas em funcionamento ficarão em uma média de R$ 400 milhões por mês.

Sobre a redução das tarifas aos consumidores, Lobão garantiu que ela acontecerá em todo o país, mesmo nos estados (São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina) onde as empresas de geração de energia não aderiram ao pacote anunciado no ano passado pelo governo para o setor elétrico nacional: “A redução será de 20% e será no Brasil inteiro”, disse o ministro.

Queda

 

Segundo divulgado hoje pelo ONS, os níveis dos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e do Nordeste continuam em queda. As represas do sistema Sudeste/Centro-Oeste caíram dos 28,43% de segunda-feira para 28,32 % ontem (8). No Nordeste, os reservatórios tiveram uma queda de quase meio ponto percentual em um dia, passando de 30,64 % na segunda-feira para 30,20 % ontem. No Norte, houve redução de 40,23% para 39,88%. Somente no Sul houve recomposição das reservas, com o nível da água subindo de 41,36% na segunda para 43,40% ontem. 

Entre as usinas que estão em pior situação, segundo o Operador do Sistema, está Furnas, que opera com 12,15% de sua capacidade de estocagem. No Nordeste, o reservatório da hidrelétrica de Sobradinho está em 25,43% de sua capacidade. 

Com agências