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Copom faz décimo corte seguido e leva taxa básica de juros para 7,25%

Decisão desta vez não foi unânime. Com a nova Selic, os depósitos em caderneta de poupança passam, a partir de amanhã, a ter remuneração de 0,4134% ao mês ou 5,075% ao ano
por Redação da RBA publicado 10/10/2012 20h02, última modificação 10/10/2012 20h37
Decisão desta vez não foi unânime. Com a nova Selic, os depósitos em caderneta de poupança passam, a partir de amanhã, a ter remuneração de 0,4134% ao mês ou 5,075% ao ano

São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu reduzir em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros, para 7,25% ao ano, seu menor nível histórico, sem viés. Foi o décimo corte seguido, mas desta vez a decisão não foi unânime. Foram cinco votos pela redução, entre eles o do presidente do BC, Alexandre Tombii, e três pela manutenção em 7,5%.

A nota divulgada após a reunião pode indicar um período sem alterações na taxa daqui em diante. "Considerando o balanço de riscos para a inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficiente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear", diz o Copom. Mas a manutenção da trajetória de corte dos juros também mostra preocupação com o desempenho da economia brasileira, especialmente no ano que vem.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias (Ciesp), Paulo Skaf, disse que a decisão foi acertada, em um cenário de economia internacional fraca e de incerteza. No caso do Brasil, ele vê uma "recuperação incipiente, baseada em mecanismos de efeito transitório", como a redução do IPI no setor automobilístico. "Não é hora de mudar os sinais da política econômica, sob pena de abortar o processo de retomada e, em 2013, o país crescer menos queo mundo e que a América Latina, como ocorreu em 2011 e ocorre novamente em 2012."

Para a Força Sindical, o Copom pratica uma política de conta-gotas. "O governo precisa agir com mais rapidez e reduzir os juros ainda mais para facilitar o crescimento da economia e reduzir a dívida pública, estimular a produção industrial que se encontra estagnada, aumentar o consumo e gerar empregos de qualidade", afirmou, em nota, o presidente da entidade, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que retomou o comando da central após disputar a prefeitura de São Paulo.

Já o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Carlos Cordeiro, disse esperar que a tendência de cortes na Selic se espalhe pelo setor, que segundo ele, permanecem com juros e spreads entre os mais altos do mundo, o que trava a oferta de crédito. "Com isso, os bancos emperram as iniciativas do governo e da sociedade na perspectiva do desenvolvimento econômico e social", afirmou, acrescentando que "os bancos elevaram as tarifas para compensar as diminuições cosméticas de juros".

Poupança

Com a nova Selic, os depósitos em caderneta de poupança passam, a partir de amanhã (11), a ter remuneração de 0,4134% ao mês ou 5,075% ao ano. A regra mudou em maio, passando a vincular a poupança à variação da taxa básica. Os 5,075% correspondem a 70% dos 7,25%. Isso não vale para depósitos anteriores a 3 de maio.