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Atlas revela concentração de terra e avanço do agronegócio sobre Norte e Centro-Oeste

por Flávia Villela, da Agência Brasi publicado 19/10/2012 12h24, última modificação 19/10/2012 12h38

Propriedade desmatada na Amazônia para criação de gado. Região é uma última fronteira para expansão do atual modelo de agronegócio (Alberto C. Araújo/Folhapress/arquivo RBA)

Rio de Janeiro – O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou hoje (19) o Atlas do Espaço Rural Brasileiro, resultado do Censo Agropecuário 2006. O estudo traz informações sobre as relações rural-urbano, a partir das pesquisas populacionais, sociais, econômicas e ambientais.

O IBGE mapeou, entre outros levantamentos, que o deslocamento espacial da fronteira agropecuária brasileira se dá atualmente em direção às regiões Centro-Oeste e Norte do país. O atlas revela que, dos seis biomas encontrados em território nacional, o que mais sofre pressão da agropecuária é o Pampa,  na região Sul (com 71% ocupado com estabelecimentos agropecuários). Em seguida estão os biomas Pantanal (69%), Mata Atlântica (66%) e o Cerrado (59%).

A agricultura familiar, apesar de abranger 4,4 milhões de estabelecimentos agropecuários (84,4% do total), cobria 80 milhões de hectares, 24,3% da área. O Nordeste reunia cerca de 50% do total de estabelecimentos com agricultura familiar, além da maior área, 35% do total do país.

Outra situação apontada pelo estudo é que em cerca de 40% dos estabelecimentos agropecuários não há prevenção ou controle da erosão.

Antagonismos

Em 2006, dos 5,2 milhões de estabelecimentos agropecuários identificados, 3,9 milhões (75,9%) eram geridos pelos donos, correspondendo a 69% da área total dos estabelecimentos. Entre os proprietários, 39% eram analfabetos ou sabiam ler e escrever sem terem frequentado escola e 43% não tinham completado o ensino fundamental.

As mulheres, que respondiam por 13% dos estabelecimentos agropecuários, tinham a maior taxa de analfabetismo (45,7%), contra 38,1% dos homens. As maiores taxas de analfabetismo, tanto para proprietários quanto para ocupantes, foram identificadas em municípios das regiões Norte e Nordeste.

Por outro lado, a pesquisa mostra como o processo de modernização da agropecuária passou de um momento de grande mecanização para um de investimento em capital intelectual. O maior interesse ficou nas técnicas de irrigação, no uso de sementes certificadas e transgênicas, no acesso a assistência técnica, plantio direto, na transferência de embriões e confinamento e inseminação – práticas que vêm se disseminando na agroindústria.

Na publicação, é possível verificar que a maior demanda de água doce é da agricultura irrigada e que cerca de 90% dos recursos hídricos utilizados n continente sul-americano vão para a produção agrícola, produção industrial e consumo humano.

Nos mapas é possível visualizar mais de 29 mil km de rios naturalmente navegáveis. A pesquisa ressalta que apenas 5% da safra de grãos é transportada pelas hidrovias. Ao longo das décadas de 1990 e 2000, o modal rodoviário respondeu por cerca de 70% do total transportado no país, contrastando com outros países, como os Estados Unidos (26%) e China (8%).

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