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Dieese e Seade veem desemprego subir, com movimento 'atípico' em São Paulo

Ocupação cresce, mas em ritmo insuficiente para absorver entrada de pessoas no mercado. Rendimento dos ocupados aumenta
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 26/09/2012 10h13, última modificação 26/09/2012 11h08
Ocupação cresce, mas em ritmo insuficiente para absorver entrada de pessoas no mercado. Rendimento dos ocupados aumenta

São Paulo – Depois de meses de relativa estabilidade, a taxa média de desemprego calculada pelo Dieese e pela Fundação Seade em seis regiões metropolitanas e no Distrito Federal subiu para 11,1% em agosto, ante 10,7% no mês anterior e 10,9% em agosto do ano passado. O percentual corresponde a uma estimativa de 2,519 milhões de desempregados, 100 mil a mais no mês e 120 mil em relação a um ano atrás. Na região metropolitana de São Paulo, a taxa passou de 11,1% para 11,6%, "em movimento não usual para o período", segundo os técnicos. Apesar da alta, a taxa em São Paulo continua equivalente a registradas nos anos 1990, ou seja, as menores em duas décadas.

De julho para agosto, o mercado de trabalho nas sete áreas pesquisadas criou 35 mil postos de trabalho (variação de 0,2% no nível de ocupação), número insuficiente para absorver as 135 mil pessoas que ingressaram, resultando no acréscimo de 100 mil desempregados. Em 12 meses, foram abertas 538 mil ocupações (crescimento de 2,7%), com a entrada de 658 mil pessoas no mercado (expansão de 3%). O número total de ocupados é estimado em 20,233 milhões, para uma população economicamente ativa (PEA) de 22,752 milhões.

Das ocupações criadas em 12 meses, até agosto, 536 mil vieram do setor de serviços, que cresceu 4,8%. A construção civil criou 40 mil (2,7%) e os setores de comércio e reparação de veículos, 14 mil (0,4%). Na indústria de transformação, o emprego recuou 1,4%, com o fechamento de 43 mil vagas.

No mês, o emprego formal teve leve alta (0,3%), com acréscimo de 33 mil postos de trabalho com carteira assinada, enquanto o emprego sem carteira subiu 2,2%, com 40 mil a mais. Na comparação anual, são 443 mil vagas com carteira a mais, crescimento de 4,6%, com estabilidade no emprego sem carteira (0,1%, mil a mais).

Estimado em R$ 1.509, o rendimento médio dos ocupados subiu 0,5% no mês e 4,6% em 12 meses. A massa de rendimentos cresceu 1% e 7%, respectivamente.

Em São Paulo, o total de desempregados foi estimado em 1,285 milhão,  65 mil a mais em relação a julho e 81 mil a mais ante agosto de 2011. Assim como no conjunto das regiões, o número de vagas criadas no mês e em 12 meses (15 mil e 248 mil, respectivamente) foi insuficiente para absorver o total de pessoas que entrou no mercado (80 mil e 329 mil). Segundo a pesquisa, a taxa de desemprego teve comportamento diferenciado conforme a área: aumentou na capital (de 10,5%, em julho, para 11,4%), ficou relativamente estável nos demais municípios (de 11,9% para 11,8%) e caiu na região do ABC (de 10,8% para 10,2%).

Também no mês, cresceu a ocupação em comércio e reparação de veículos (3,1%, com criação de 51 mil postos de trabalho) e na indústria (0,7%, 12 mil a mais), com estabilidade nos serviços (-0,2%, ou 11 mil a menos) e queda na construção (-6,4%, 48 mil a menos). Na comparação com agosto do ano passado, os serviços criaram 342 mil vagas, expansão de 6,5%, e os demais fecharam vagas: menos 25 mil na indústria (-1,5%) e menos 52 mil em comércio e reparação de veículos (-2,9%). A construção ficou praticamente estável (-0,1%, mil a menos).

O emprego com carteira assinada cresceu 0,9% no mês (acréscimo de 47 mil vagas) e 3,8% em 12 meses (185 mil). E o emprego sem carteira aumentou 4,3% de julho para agosto (mais 40 mil) e caiu 2,3% ante agosto de 2011 (menos 23 mil).

O rendimento médio dos ocupados (R$ 1.682) em São Paulo subiu 1% no mês e 8,8% em 12 meses. A massa de rendimentos cresceu 1,7% e 10,3%, respectivamente.

Com metodologia e regiões diferentes, a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), do Dieese e do Seade, não é comparável à Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE.