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Candidata à direção do FMI almoça com Mantega e inicia "campanha" com emergentes

por Redação da RBA publicado 30/05/2011 14h42, última modificação 30/05/2011 17h49

No encontro em Brasília, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a ministra francesa da Economia debatem no Ministério da Fazenda (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

São Paulo – A ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, participou, nesta segunda-feira (30), de almoço no Ministério da Fazenda, em Brasília. Candidata apoiada pelos países ricos à direção-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) comprometeu-se a dar continuidade a reformas no organismo para aumentar a representatividade dos emergentes. Depois de visitar Guido Mantega, ela deve cortejar também a China e a Índia, além de países do Oriente Médio. Christine também defendeu que as prioridades da instituição internacional sejam repensadas.

A mudança na atual direção do fundo só deveria ocorrer no final de 2012, mas o diretor-gerente da instituição, Dominique Strauss-Kahn, renunciou, após ser acusado de agressão sexual a uma camareira de hotel nos Estados Unidos. O prazo para a apresentação de candidaturas termina em 10 de junho e a escolha deve ocorrer até 30 de junho.

Christine conta com o apoio dos membros do G8, grupo dos sete país mais industrializados do mundo mais a Rússia. Desde a criação do FMI, em 1945, o cargo de diretor-gerente da instituição é ocupado por um europeu. Em troca, um norte-americano ocupa a presidência do Banco Mundial.

Em entrevista coletiva ao lado do ministro da Fazenda brasileiro, Christine defendeu três pontos para a sua gestão: a revisão das fórmulas de cálculo das cotas dos países-membros, o reforço do papel de vigilância do fundo para evitar futuras crises econômicas e a atuação em mais áreas, além da macroeconomia internacional. “O fundo precisa rever seu papel continuamente para se adaptar quando as circunstâncias mudam”, disse a candidata.

Sobre o fato de ser europeia e apoiada pelos demais países do continente, ela afirmou que sua candidatura se baseia na capacidade técnica para ocupar o cargo, e não em sua nacionalidade. “Minha candidatura é um processo aberto e transparente. A escolha será baseada no mérito. O fato de ser europeia e francesa não é um benefício, assim como não deve ser falha ou inconveniente.”

A ministra francesa reiterou o apoio à universalização do fundo. “O FMI não pertence a ninguém, mas à totalidade desses membros.” Ela afirmou que o fundo deve estar atento aos desdobramentos no Norte da África e contribuir para o desenvolvimento econômico na região. Christine, no entanto, não quis comentar a possibilidade de restruturação da dívida da Grécia, alegando que veio ao Brasil tratar apenas da sucessão no FMI.

Ainda nesta segunda, Christine se encontrará com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. A ministra da Economia da França afirmou ter escolhido o Brasil como primeira parada na campanha pelo posto de diretor-gerente do FMI porque o país conquistou peso nas decisões internacionais nos últimos anos. Ela passará ainda pela China, Índia e pelo Oriente Médio.

Por voto

Outro candidato que promete vir ao Brasil para pedir apoio é Agustín Carstens, presidente do Banco Central mexicano, segundo informações de Mantega. Para o ministro da Fazenda brasileiro, o processo de escolha do novo dirigente do fundo deve ter mais de um candidato.

Ele também defende prazo maior para a escolha do sucessor de Strauss-Kahn e sugere que o novo diretor assuma provisoriamente o posto até 2012, quando terminaria a gestão do diretor que renunciou.

Para o ministro, escolher o novo dirigente do FMI no prazo que foi estabelecido, 30 de junho, não permitirá uma avaliação melhor das propostas e compromissos dos candidatos, incluindo uma nova agenda para a instituição. Uma agenda de reformas e reestruturação, que permita maior participação dos países emergentes, como o Brasil, nas decisões do organismo multilateral.

De acordo com o Ministério da Fazenda, o cardápio oferecido à ministra francesa inclui filé de salmão grelhado ao molho Dijon, acompanhado de legumes à noisette salteados no azeite, e terá mousse de cajá, com frutas tropicais laminadas, na sobremesa.

Christine Lagarde tem agendado também um encontro ainda com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e dará entrevista no fim da tarde.

Com informações da Agência Brasil