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Governo espera mais colaboração da Vale após mudança na direção da empresa, diz Lobão

por Jorge Wamburg publicado 04/04/2011 17h03, última modificação 04/04/2011 17h23

Lobão negou que tenha ocorrido redução de exigências ambientais para Angra 3 (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília – O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse nesta segunda-feira (4) que o governo trabalha com a perspectiva de maiores investimentos da Vale no país com a mudança na direção da empresa – a saída do atual presidente, Roger Agnelli, até maio foi confirmada quinta-feira (31). Segundo o ministro, a ideia é que a companhia “esteja sempre numa linha de colaboração com o próprio governo para o interesse nacional”.

Lobão lembrou que a produção de aço no Brasil “é conveniente e necessária" para a população e a sociedade. "Portanto, a Vale, que é uma empresa brasileira, da qual temos todo orgulho, é a segunda maior empresa brasileira, depois da Petrobras, precisa contribuir mais fortemente com o desenvolvimento interno do país”, afirmou.

Na opinião do ministro, o próprio Roger Agnelli se esforçava para isso, mas já está lá já há quase dez anos. "Ele tem um contrato com os acionistas até maio deste ano. A saída dele não deve ser considerado um episódio anormal, porque não é anormal. É um profissional da maior categoria, cumpriu bem o seu papel.”

O ministro disse ainda que não há uma decisão tomada quanto à possibilidade de a Vale a substituir o consórcio Bertin na construção da Usina Belo Monte, no Rio Madeira, em Rondônia, “mas poderá ser”. Segundo ele, existem muitas empresas em condições de assumir a obra, onde houve sérios problemas de violência. Lobão citou entre as empresas capazes de construir Belo Monte as de Eike Batista e a Votorantim.

Angra 3

Lobão garantiu que “não se fará nada para romper padrões ou limites de segurança" de Angra 3, em Angra dos Reis (RJ). "Tudo que se fará em Angra 3 estará rigorosamente dentro dos padrões de segurança e de produção de energia", disse Lobão. 

Reportagem publicada nesta segunda por um jornal carioca afirma que a licença para a obra de Angra 3 reduz exigências ambientais. Segundo a denúncia, uma alteração tirou do texto final da licença a obrigatoriedade de a Eletronuclear assumir a manutenção do Parque Nacional da Serra da Bocaina e da Estação Ecológica de Tamoios, que constava da primeira licença, em 2008. As medidas seriam uma compensação ambiental pelos riscos que a usina representa para a região.

Se fosse obrigada a assumir a manutenção dos parques, a Eletronuclear teria que repassar R$ 13 milhões ao Instituto Chico Mendes, que administra os parques, em cinco anos, mas isso não ocorreu e a cláusula, segundo o jornal, foi suprimida.

 

O ministro admitiu ainda que "foram feitas algumas evoluções, no que diz respeito à avaliação das condições de licenciamento" para construção da Usina Nuclear Angra 3, ao longo dos 20 anos de existência do projeto. Ele  depois de uma solenidade na sede do ministério.

“A população não precisa ter a menor preocupação quanto aos cuidados em relação às usinas”, disse Lobão. Ele voltou a citar que nenhuma alteração causará problemas com relação à segurança. “Não se está dispensando obrigações que devem ser observadas. Não há nenhuma dispensa que possa causar prejuízos ou danos à segurança das usinas. Nós pretendemos manter a segurança como ponto número 1 e ponto fundamental”.

Etanol caro

Lobão ainda defendeu o governo e a Petrobras ao comentar a alta dos preços do etanol. "Nós não tivemos aumentos (de preço) declarados pelo governo há dois anos, nem de gasolina, nem de nada. A última alteração que houve, por meio da Petrobrás, foi há dois anos, e essa alteração foi para baixo, não para cima."

O ministro enfatizou que os preços da Petrobras têm se mantido, tanto da gasolina como do etanol. "O problema é que o mercado tem liberdade de preços”. Em março, o etanol atingiu o preço mais alto da história, com o litro chegando a custar R$ 2,23 em São Paulo e com pequenas variações em relação às demais capitais do país.