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Apesar da alta dos alimentos, são os serviços que mais pressionam a inflação

por Marli Moreira publicado 01/04/2011 15h59, última modificação 01/04/2011 16h59

São Paulo – Passado o período de chuvas mais intensas, principalmente na Região Sudeste, onde as condições climáticas prejudicaram a safra agrícola e empurram para cima os preços dos alimentos, a tendência, a partir de agora, é a regularização da oferta. Consequentemente, as cotações devem  ficar mais equilibradas no mercado, pressionando menos a inflação. A análise foi feita nesta sexta-feira (1º) pelo economista Paulo Picchetti, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O economista estima que a inflação deve fechar o ano em torno de 5,5%, acima do centro da meta oficial prevista pelo governo, de 4,5%. Nesta semana, o Banco Central divulgou mais uma elevação da expectativa dos agentes do mercado financeiro sobre o comportamento da inflação. A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5% para 5,6%.

A grande ameaça à inflação, segundo o economista, não é o preço dos alimentos, mas sim, a valorização dos serviços em todos os segmentos. Ele cita que, entre eles, estão os reparos de veículos em oficinas mecânicas, contratação de trabalhadores para tarefas domésticas, cuidados com a beleza, reformas e construção de imóveis e serviços de hotelaria.

Na avaliação dele, no entanto, a elevação do IPC-S, em março, quando a taxa atingiu 0,71%, bem acima da variação registrada no início do mês (0,59%), foi provocada por fatores sazonais e, na maioria dos casos , associados às chuvas.

Nesse período, conforme justifica, houve diminuição na oferta de hortaliças e legumes na média das sete capitais onde é feita a coleta de preços para o cálculo do índice. A alta foi de 7,03% ante 6,65% da pessquisa anterior. Alguns desses itens, porém, ficaram bem mais caros. É o caso da cebola, com 25,33% de aumento ante 15,55% e do tomate 19,49% ante 16,37%. “Mas esses aumentos não devem se sustentar por muito tempo”, prevê Picchetti.

Em sentido oposto, as carnes bovinas têm registrado queda de preço com o aumento da produção interna. Entre o início da segunda quinzena de março e o fim do mês, os preços mantiveram a trajetória de queda, só que em ritmo mais lento, de -2,33% para -1,63%.

O IPC-S também sofreu o impacto da alta dos preços do etanol, que subiu de 7,51% para 9,32% entre a terceira prévia de março e o encerramento do mês. “O que explica essa elevação é o efeito das chuvas sobre o plantio da cana-de-açúcar”, apontou Picchetti. Com menos matéria-prima para o processamento, caiu a oferta do produto. O economista observou ainda que o etanol tem tido uma valorização crescente em razão da maior demanda nos postos de combustível de veículos bicombustíveis.

Fonte: Agência Brasil

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