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Mantega pede a empresários que não se enganem com "canto da sereia" do pessimismo

Diante do pior ano em duas décadas para a indústria, ministro da Fazenda vê desaceleração como coisa do passado
por Redação da RBA publicado 02/02/2010 12h56, última modificação 02/02/2010 12h00
Diante do pior ano em duas décadas para a indústria, ministro da Fazenda vê desaceleração como coisa do passado

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, advertiu empresários para que não se deixem levar pelo "canto da sereia" das projeções pessimistas baseadas no fato de este ser um ano eleitoral, sob pena de conturbar os ganhos obtidos na economia. A declaração ocorre depois do anúncio da  produção industrial brasileira fechou 2009 com a maior queda dos últimos 19 anos, nesta terça-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Brasil, o ano passado apresentou redução de 7,9% em relação ao resultado de 2008. Em 1990, a queda havia sido de 8,9%. Segundo o IBGE, no entanto, as perdas foram mais acentuadas no primeiro semestre (-13,9%). Mas, no último trimestre do ano, houve uma recuperação de 5,8%, o que contribuiu para diminuir a queda em 2009.

Mantega reiterou que, se houver um expressivo aumento da inflação o governo tem como controlar, recorrendo à política de juros. Ele participou do Seminário Brasil: Preparado para Crescer, promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide).

Depois do evento, o ministro minimizou a queda. "Mas isso é coisa do passado, porque no presente a indústria está crescendo fortemente", afirmou. Mantega previu aumento de 7% na produção da indústria neste ano e defendeu um pacto do governo com a classe empresarial para garantir a sustentabilidade do crescimento por conta do ano eleitoral. Segundo o ministro, os empresários devem dar um voto de confiança ao governo e podem ter a garantia de que a condução da política econômica não será mudada.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que também participou do seminário, exaltou os resultados benéficos da política econômica do governo e afirmou que “o Brasil deixou de ser o país do futuro e passou a ser o do presente”. Assim como Mantega, ele disse que o governo não planeja mudar a política econômica.

Questionado sobre como reduzir o juro ainda considerado alto do país, a receita de Meirelles é "não tentar dar passo maior que a perna", o que quer dizer manter a política macroeconômica. "O fato de que a inflação está na meta, de que temos reservas, de que a dívida pública é cadente... isso tudo gera condições para juros menores", disse. O que deve ser evitado, segundo ele, é partir de juros menores sem o cenário macroeconômico propício para isso.

Ele acrescentou que, diferentemente do ano passado, quando o consumo esteve à frente da recuperação da economia, a liderança agora passa a ser do investimento.

 

Indústria

Dos 27 segmentos pesquisados pelo IBGE, 23 apresentaram redução na comparação de 2009 com o ano anterior. As quedas mais significativas foram registradas nos setores de material eletrônico e equipamentos de comunicações (-25,5%), máquinas e equipamentos (-18,5%), metalurgia básica (-17,5%), e veículos automotores (-12,4%).

Comparando apenas o mês de dezembro de 2009 com o mês anterior, a queda foi de 0,3%. Quando feita a comparação entre dezembro de 2009 e o mesmo período do ano anterior, auge da crise econômica mundial, o aumento foi de 18,9%.

Com informações da Agência Brasil