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Vilã do emprego em 2009, indústria tem trajetória de recuperação, alerta pesquisador

por anselmomassad publicado 20/01/2010 16h34, última modificação 20/01/2010 16h40

Indústria, incluindo o setor automobilístico, vem apresentando trajetória de recuperação, mas saldo de empregos é inferior a outros setores (Foto: Cesar Ferrari/Reuters)

Apontada pelo ministro do Trabalho e Emprego Carlos Lupi como setor responsável pela geração de empregos formais inferior às expectativas, a indústria de transformação apresenta sinais de recuperação nos últimos trimestres. O alerta é do professor de economia industrial do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp), Fernando Sarti.

A indústria de transformação fechou 2009 com um saldo de 10.865 novos empregos sendo que em 2008 esse saldo foi de 178.675. "Os números dos trimestres anteriores já indicavam recuperação do setor, mas a indústria foi a mais impactada pela crise e o setor que mais demorou a reagir", pondera Sarti. "Diante do tamanho da crise, com fechamento de postos de trabalho, a tendência de recuperação é um sinal importante", analisa.

Em setembro, por exemplo, o setor foi o que mais contratou, com 123 mil postos criados. Mas as demissões do início do ano reduziram esse impacto

Ele acredita que, seguindo tendência de recuperação e com o câmbio permanecendo estável em de R$ 1,70 por dólar, a tendência é da volta aos patamares pré-crise. "Se cambio não atrapalhar, sou otimista da recuperação ao longo do primeiro semestre", prevê.

Embora o câmbio afete a competitividade dos produtos brasileiros frente aos asiáticos, por exemplo, a principal fonte de crescimento das exportações está na recuperação demanda externa, especialmente dos Estados Unidos e da América Latina, para onde vão os manufaturados brasileiros.

Mas como setores exportadores são, em geral, pouco intensos em mão-de-obra, sua recuperação não deve ter tanto impacto na geração de empregos. O principal motor para a criação de vagas na indústria deve estar na recuperação do mercado interno, como ocorreu em 2009. Setores como o automobilístico canalizaram parte de sua produção antes destinada ao mercado internacional para o consumo doméstico.