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“Davos não é uma reunião de demônios”, diz Paul Singer

por Luana Lourenço publicado 26/01/2010 16h37, última modificação 26/01/2010 16h40

O economista Paul Singer participa do seminário A Conjuntura Economica Hoje, no segundo dia do Fórum Social Mundial (Foto: Renato Araújo/ABr)

Porto Alegre - Na contramão de vozes mais radicais do Fórum Social Mundial, o economista Paul Singer disse nesta terça-feira(26) que o Fórum Econômico Mundial de Davos não é “uma reunião de demônios”.

“Davos também tem diferenças internas. Tem muita gente boa lá no meio, inclusive da economia solidária”, ponderou. "O George Soros, por exemplo, é de esquerda, é um dos maiores críticos do mundo em que vive”, acrescentou.

Em palestra sobre a nova conjuntura econômica, após o auge da crise financeira internacional, Singer defendeu o controle dos bancos para evitar que o mercado financeiro se descole da economia real. O economista, que é Secretário de Economia Solidária do Ministério do Trabalho, disse que essa possibilidade é viável e possível no sistema capitalista vigente.

“No Brasil acabou de acontecer isso. O Brasil foi salvo pelos bancos públicos. É preciso tornar os grande bancos públicos submetidos ao controle da sociedade e sobretudo fomentar o que chamamos de finanças solidárias, da vizinhança, da comunidade”, argumentou.

O controle dos bancos também deve ser um dos temas discutidos no Fórum Econômico de Davos.

A escritora e doutora em política pela Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais de Paris, Susan George, também defendeu maior controle sobre a regulamentação da economia. “Os bancos são nossos, nós pagamos pelos bancos, eles têm que receber ordens políticas. Temos que direcionar o capital para investimentos em energia gratuita e alimentos. O mundo está cheio de dinheiro, dinheiro não é problema, o problema é a política”, argumentou.

Segundo Susan, atualmente o sistema financeiro é colocado na frente da economia real, da sociedade e do meio ambiente, como em um esquema de círculos concêntricos, em que o financeiro é o maior a mais importante.

“Nossa tarefa é inverter a ordem desses círculos. Não podemos vencer a natureza. Se continuarmos como agora teremos aumento da temperatura. Não estamos falando de uma crise ecológica planetária, o planeta vai continuar, pode se sair muito bem sem nós; o que discutimos aqui é a possibilidade de a vida desaparecer”, apontou.

Fonte: Agência Brasil

 

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