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Pesquisa indica que 13,5 milhões de brasileiros passaram para o nível intermediário de renda

por Flávia Albuquerque publicado 05/11/2009 15h34, última modificação 05/11/2009 15h35

São Paulo - Cerca de 13,5 milhões de brasileiros saíram da base da pirâmide social e econômica e passaram para o nível intermediário de renda de 1995 a 2008, segundo dados da pesquisa Trajetória da mudança na identidade e na estrutura social brasileira, divulgada nesta quinta-feira (5), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Segundo os dados, 6 milhões (39,8% dos brasileiros) passaram para o nível superior de renda. A pesquisa divide a pirâmide em três extratos de renda: base, intermediário e superior.

As regiões Sudeste e Nordeste são as que se destacaram com a ascensão da base para o nível intermediário de renda. Os estados do Sudeste responderam pela passagem de 4,9 milhões de pessoas no extrato intermediário, e os do Nordeste, por 4,6 milhões. Na Região Sul, saíram da base 1,5 milhão de indivíduos (11,1%), na região Norte 1,4 milhão (10,4%) e no Centro-Oeste 1,1 milhão (8,1%).

Segundo o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, o Nordeste voltou a ter o melhor desempenho econômico no setor privado e do ponto de vista das iniciativas públicas relacionadas aos investimentos. “Isso trouxe melhoras no mercado de trabalho. Parte significativa dos programas de transferência de renda é para a população mais pobre e que ainda continua residindo no Nordeste", disse.

Pochmann afirmou que a sociedade brasileira voltou a ter mobilidade e esse quadro de ascensão social deriva das melhorias ocorridas no mercado de trabalho, em termos de ampliação do emprego e da renda. Ele explicou que os trabalhadores ocupados tiveram a maior mobilidade social.

“A ideia de pirâmide social no Brasil precisa ser reconfigurada, porque talvez estejamos caminhando para a figura de um barril como sendo uma redução da presença da população de menor renda e uma ampliação da renda intermediária, acompanhada inclusive de melhora na renda mais alta da população brasileira”, disse.

A pesquisa indica ainda que a população mais pobre está tendo mais acesso a bens como fogão, geladeira e rádio. Com relação ao fogão, tanto em 1998 como em 2008 quase 100% dos indivíduos dos três extratos sociais possuem o bem. Já a geladeira teve sua presença aumentada para 80,1% da base da pirâmide. Com relação ao telefone e à máquina de lavar, 62,6% e 13,1% da população da base da pirâmide já possuem esses aparelhos.

“Não é possível mais identificar na posse de televisão, geladeira e rádio se a pessoa pertence a um extrato de renda baixo ou alto. Praticamente há uma homogeneidade no consumo desses bens. O que talvez diferencie seja a qualidade, a marca desses bens”, disse Pochmann.

Para ele, as políticas públicas necessitam de uma redefinição para acompanhar as mudanças sociais e geográficas do país. “Havia uma avaliação de que a maior renda estava concentrada na região metropolitana. Mas percebemos que há uma interiorização do segmento de maior renda e, ao mesmo tempo, as grandes cidades acumularam um segmento de menor renda.”

Fonte: Agência Brasil

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