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Quem chiou por taxação de estrangeiros é suspeito, diz Belluzzo

por Rodrigo Rodrigues, Jornal Brasil Atual publicado 21/10/2009 11h09, última modificação 21/10/2009 11h10

Nassif, à esquerda, e Belluzzo, à direita, apontam que críticos de IOF para investidores são interessados na especulação (Foto: Montagem com Reprodução e de Valter Campanato/Agência Brasil)

A decisão do governo de taxar os investimentos estrangeiros que entram no país causou uma forte queda na Bolsa de Valores de São Paulo na terça-feira (20). Na cobertura da imprensa dedicada ao setor de finanças, foram ouvidos apenas analistas contrários à medida. Para o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, os críticos da medida estão interessados em seus próprios investimentos, interessados apenas na especulação financeira.

"Tem gente aí chiando porque está interessada em seus ganhos pessoais, em ganhar o Copom (taxa Selic) mais a valorização do dólar. Então, as pessoas que estão rosnando são muito suspeitas", disparou em entrevista ao Jornal Brasil Atual.

 

Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-secretário Nacional de Política Monetária, afirma que o temor do mercado não se justifica. "Isso é exatamente para impedir que o real se desvalorize muito e prejudique as empresas brasileiras que sofrem uma concorrência desigual por causa da desvalorização", explicou.

"Quem chiou nesse caso do IOF foi o pessoal de mercado, de bolsa, não a parte produtiva", corroborou o jornalista Luís Nassif, especializado na área econômica. "Essa apreciação do real só interessa para cara que vem especular, não para empresa multinacional que investe a médio prazo porque cria insegurança a médio prazo, uma insegurança, para o empresário brasileiro que não pode planejar suas exportações", explica. "Só que quando se pega a imprensa financeira de maneira geral, ela só reflete esse segmento (de especuladores)", lamentou.

O índice Bovespa recuou 2,9% com o anúncio do Ministério da Fazenda de que todos os investidores externos terão de recolher 2% de impostos sobre as operações financeiras. A queda da índice Bovespa mostra que os investidores financeiros não gostaram da taxação de capital externo.

Segundo o ministro Guido Mantega, a intenção do governo é impedir que uma queda brusca do dólar frente ao real possa prejudicar as exportações brasileiras. Desde o início do ano, a moeda americana já se desvalorizou 25% segundo dados do Banco Central.

"Hoje mesmo (terça-feira, 20), na União Europeia, um dos economistas mais importantes, membro do Comitê de Política Econômica do Banco (Central) da Inglaterra, se manifestou pedindo que o Banco Central Europeu tomasse medidas contra a valorização do euro. Estamos fazendo o que todo mundo faz", afirmou.

Na opinião de Luís Nassif, a taxação é positiva mas só terá efeitos no curto prazo. "O que acho que vai acontecer é o seguinte: um impacto no primeiro momento, depois o mercado se amolda e começa a apreciar de novo o câmbio e o governo vai ter de aumentar a tributação", avalia.

Se a medida inibe a valorização do real no primeiro momento, deve haver uma retomada da entrada de recursos em bolsa, com nova baixa do dólar, o que obrigaria o governo a aumentar a taxação.  Para Nassif, se o governo não aumentar a alíquota do IOF para estrangeiros, o dólar corre o risco de chegar à temida casa de US$ 1 para R$ 1,60.

O Ministério da Fazenda não fala em aumentar a taxação. A Receita Federal estima que a cobrança sobre os investimentos estrangeiros em bolsa deve trazer uma receita extra de R$ 4 bilhões aos cofres públicos brasileiros.

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