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Cadastro positivo ampliaria crédito em até R$1 tri, diz Serasa

por Aluísio Alves publicado 19/10/2009 14h03, última modificação 19/10/2009 14h09 © Thomson Reuters 2009. All rights reserved

São Paulo - A implementação de um sistema de cadastro positivo poderia ampliar a oferta de crédito para pessoas físicas no Brasil em até R$ 1 trilhão, segundo um levantamento da Serasa Experian.

Ainda de acordo com o estudo, o modelo traria para o mercado cerca de 26 milhões de pessoas. Esse grupo, segundo a Serasa, é formado por indivíduos que desistem de obter crédito devido aos juros altos ou que têm seus pedidos de financiamento negados por lojas e bancos, devido à baixa quantidade e qualidade das informações sobre crédito no mercado.

"O modelo atual, baseado apenas em informações negativas, está esgotado", disse o presidente da unidade de negócios pessoa física da Serasa, Ricardo Loureiro, a jornalistas nesta segunda-feira.

Segundo o executivo, o Brasil é o único dos 20 países mais ricos do mundo que não possui o cadastro positivo, sistema cujo potencial de aumento de consumo elevaria a relação crédito/PIB nacional dos atuais 45 para 81 por cento.

Traduzido em números, o modelo geraria uma demanda adicional por 10 milhões de casas, 5,9 milhões de automóveis e 25,6 milhões de eletrodomésticos.

O cadastro positivo é um sistema em que bancos e lojistas podem ter acesso a um histórico de endividamento das pessoas. Mapeadas, as transações levam os indivíduos a obter determinadas pontuações, dependendo da adimplência nos pagamentos, permitindo que bons pagadores sejam beneficiados com oferta de juros mais baixos nos financiamentos.

Para a Serasa, a maior eficiência do sistema reduziria a taxa média de inadimplência em cerca de 45% no país e permitiria que 62% das pessoas obtivessem taxas menores na oferta de crédito.

A empresa de informações de crédito mostra-se preocupada, no entanto, com as mudanças feitas pela Câmara dos Deputados no projeto que cria o cadastro positivo e que hoje está no Senado Federal.

"As mudanças restringiriam a capacidade de implementação efetiva do sistema", disse Francisco Valim, presidente da Serasa Experian, frisando que, tecnicamente, a empresa já está pronta para operar com o cadastro positivo, logo que ele for aprovado.

As mudanças aprovadas pelos deputados no projeto criam limitações ao funcionamento do cadastro positivo, como a exigência do aviso de recebimento (AR) na correspondência que informa a inclusão do consumidor inadimplente no banco de dados negativos, a exclusão dos débitos abaixo de R$ 60  e das informações das empresas de serviços públicos, como contas de água, luz e telefone.

Fonte: Reuters



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