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Para economista, crescimento é importante, mas juros poderiam ser menores

Ricardo Carneiro critica interrupção da queda dos juros pelo Banco Central, porque há "muita gordura para queimar". Retomada mostra acerto em políticas do governo
por Paulo Donizetti publicado 11/09/2009 19h22, última modificação 11/09/2009 19h34
Ricardo Carneiro critica interrupção da queda dos juros pelo Banco Central, porque há "muita gordura para queimar". Retomada mostra acerto em políticas do governo

O crescimento da economia brasileira no segundo trimestre mostra que as políticas adotadas pelo governo tiveram resultado. A avaliação é de Ricardo Carneiro, professor do Instituto de Economia da Unicamp. Ele critica o Banco Central por não promover mais cortes de juros em um cenário em que há "muita gordura para queimar".

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geogradia e Estatística (IBGE) apontaram crescimento de 1,9% no segundo trimestre de 2009. No semestre, houve retração de 1,5%, a maior da série histórica iniciada em 1996.

"O mais importante é que voltamos a crescer, sinal de que as políticas anticíclicas adotadas pelo governo brasileiro apresentaram resposta rápida", sustenta, em entrevista à Rede Brasil Atual.

"Como a queda do PIB foi grande (no último trimestre de 2008), o estrago no desempenho anual já está feito e deveremos ficar nisso aí, entre 0 e 1%", pondera. Para ele, comparar os dados com um período crítico prejudica um pouco a análise.

Por outro lado, apesar do resultado anual baixo, o ritmo de aquecimento da economia pode representar um crescimento no último trimestre de 3,5% a 4% na comparação com o ano passado, por causa da retração dos últimos meses de 2008. "Isso já significará uma ‘trajetória de cruzeiro’, que é o que importa para projetar para o próximo ano que vem um ritmo muito bom", explica.

Carneiro considera que o Banco Central se precipitou na interrupção dos cortes da taxa Selic. "Ainda tem muita gordura para queimar, esta aí a inflação baixa para demonstrar isso", dispara. "Ninguém entende esse conservadorismo, não há justificativa objetiva, é fundamentalismo", critica.

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