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Redução da pobreza até 2015 será mais difícil por causa da crise, diz ONU

Desemprego e salário baixo dificultam cumprimento de meta do milênio. Para Milko Matijacic, do Ipea, Brasil se diferencia de países em desenvolvimento por ter políticas de garantia de renda aos pobres
por Gilson Monteiro, Jornal Brasil Atual publicado 08/07/2009 11h17, última modificação 08/07/2009 11h18
Desemprego e salário baixo dificultam cumprimento de meta do milênio. Para Milko Matijacic, do Ipea, Brasil se diferencia de países em desenvolvimento por ter políticas de garantia de renda aos pobres

A Organização das Nações Unidas (ONU) revelou nesta semana que a crise econômica acabou refletindo em uma das áreas mais críticas em termos sociais. Dados da ONU indicam que o prejuízo financeiro colocou em risco a redução e o combate à pobreza, ameaçando as Metas do Milênio, para 2015.

Os objetivos foram traçados no ano 2000 como um dos mais ambiciosos projetos da humanidade. Para o assessor do Ipea, Milko Matijacic, o alerta não traz muita novidade, já que o mundo ainda vive os resquícios da mais grave crise financeira dos últimos tempos.

"E essa crise tem, como uma de suas principais consequências, a redução da atividade econômica e dos níveis de emprego e de salário", explica. "Esse tipo de redução para as populações na pobreza ou próximas ao limiar da pobreza são muito dramáticas. A redução desses valores obviamente aumenta o número de pobres e torna mais difícil o cumprimento das metas do milênio", completa.

Ele lembra que o desemprego, principalmente nos países em desenvolvimento, costuma deixar as famílias de baixa renda em situação precária porque elas não tem outra fonte de recursos.

O assessor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada destaca que, na maioria dos casos, falta às nações menos favorecidas, programas sociais que supram a necessidade da população em geral, é exatamente esse o diferencial que coloca o Brasil em situações menos avassaladoras quando o assunto é pobreza.

"Do ponto de vista da pobreza, certamente estamos sendo vitoriosos, talvez seja o quesito em que mais estejamos saindo vitoriosos", avalia. "Os recentes trabalhos que temos feito aqui na assessoria tem mostrado que, mesmo em meio à crise, a pobreza continua se reduzindo no Brasil", comemora.

A explicação para isso está no fato de programas como o Bolsa Família terem sido ampliado e por haver garantias de renda a quem ganha um salário mínimo ou próximo a esse patamar. "O Brasil, ao contrário de outros países em desenvolvimento, tem políticas bastante sólidas desse ponto de vista, o que permite que a redução da pobreza continue acontecendo", sustenta Milko Matijacic.

Na próxima cúpula do G-20 (as 20 nações mais industrializadas), que deverá ocorrer em setembro, o governo brasileiro deverá incluir a questão da pobreza na agenda, pela primeira vez.