Você está aqui: Página Inicial / Economia / 2009 / 07 / Aeronautas alertam que abertura do mercado pode prejudicar empresas brasileiras

Aeronautas alertam que abertura do mercado pode prejudicar empresas brasileiras

Apesar de redução de tarifas, companhias nacionais podem quebrar por concorrência desleal
por Gilson Monteiro, Jornal Brasil Atual publicado 06/07/2009 11h16, última modificação 06/07/2009 11h16
Apesar de redução de tarifas, companhias nacionais podem quebrar por concorrência desleal

Um projeto de lei, já aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos e em tramitação no Senado poderá prejudicar as companhias aéreas brasileira. Segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas, o texto prevê abertura do mercado interno para empresas estrangeiras, o que importaria concorrência desleal.

De acordo com o assessor financeiro Cláudio Toledo, explica que o prejuízo é certo, pois os voos internacionais já vem para o Brasil com custos fechados, o que permitirá às empresas cobrarem o que quiser pelo trecho doméstico.

Ele usa como exemplo um vôo que venha de qualquer país para o Rio de Janeiro com escala em São Paulo. Se 70% dos passageiros descer na capital carioca e o restante permanecer, as vagas podem ser ocupadas por passageiros brasileiros de ponte aérea. "Essa perna São Paulo-Rio já está paga, então vou encher de passageiro a um custo zero. O combustível, o gasto e o leasing da aeronave está pago. E vão concorrer com uma empresa aérea que não está com nada pago", explica.

No relatório de aprovação do texto, o Senador Romero Jucá argumenta que a chegada de empresas estrangeiras ao país incrementará o turismo interno. O assessor financeiro do Sindicato dos Aeronautas discorda. "A maior parte dos voos domésticos entre as grandes capitais é voo de negócios. É isso que vão utilizar, então não vai incrementar o turismo", afirma.

"O passageiro pode ser beneficiado? Pode, claro, porque a tarifa vai cair. Mas a que custo? Ao de eventualmente promover uma quebradeira nas empresas brasileiras, com consequência de perda de milhares de postos de trabalho, porque as estrangeiras já vêm com tripulação", sustenta.

O Projeto de Lei segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça em fase terminativa e, se for aprovado, não precisará ser votado pelo plenário do Senado.

registrado em: ,