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Taxa Selic desce a um dígito pela 1ª vez na história

Queda na taxa básica anual definida pelo BC chega a 4,5 pontos percentuais desde dezembro, mas o nível real (quase o dobro da inflação) ainda mantém o país entre os campeões de juros do mundo
por Paulo Donizetti de Souza, Revista do Brasil publicado 10/06/2009 20h31, última modificação 10/06/2009 20h35
Queda na taxa básica anual definida pelo BC chega a 4,5 pontos percentuais desde dezembro, mas o nível real (quase o dobro da inflação) ainda mantém o país entre os campeões de juros do mundo

A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central de reduzir em um ponto, de 10,25% para 9,25% ao ano, a taxa básica de juros manteve a tendência de queda iniciada em janeiro e a conduziu a um novo patamar histórico, desta vez abaixo dos dois dígitos. Foi a quarta queda seguida desde janeiro. A Selic começou o ano em 13,75% anuais.

A redução na atividade econômica detectada no primeiro trimestre – ainda que bem abaixo do esperado – e a inflação em baixa continuam impulsionando essa tendência. Conforme havia afirmado nesta terça-feira (9) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, devem ser mantidas também todas as chamadas medidas anticíclicas para blindar a economia brasileira da crise financeira internacional – e que não se restringem à política de juros do BC, que o ministro evita comentar.

O governo ainda espera reverter o crescimento negativo da economia e terminar o ano com alta do PIB. Mantega empregou a expressão “olhar pelo retrovisor” ao se referir ao desempenho de janeiro a março e assegurou que economia já mostra sinais claros de recuperação.

O economista do Dieese Sérgio Mendonça, colunista da Revista do Brasil, lembra que o juro básico, em pleno estouro da crise, em setembro, demorou para cair. “Houve duas reuniões do Copom no ano passado, quando a crise já se alastrava, mas as oportunidades de seguir as tendências dos demais bancos centrais do mundo não se repetiram aqui, e terminamos o ano com taxa de 13,75%”, avalia.

Mendonça não acredita, entretanto, que uma redução precoce dos juros evitaria a queda do PIB por trimestres seguidos. “Teria sido desejável reduzir a Selic antes, pelo que isso representa de economia para os cofres públicos e pelo impulso que pode dar ao crédito. Mas creio que houve preocupação na ocasião em se evitar que a fuga de capitais – e ela de fato aconteceu – fosse maior”, analisa. “A redução dos juros por si só não basta para induzir a uma reação. Ela se soma a outras medidas, como a redução do compulsório, o estímulo ao crédito, a redução de impostos e a manutenção das políticas sociais e do poder de compra da população, que vêm obtendo bons resultados.”

O economista observa ainda que o que move a decisão em relação aos juros não é inflação de hoje, perto do centro da meta anual de 4,5%, mas a expectativa futura. “Para uma inflação na casa dos 4%, uma Selic de 9% significa juro real de 5%, que já é um dos maiores do mundo. Mas se levarmos em conta que pelo andar da carruagem a inflação em breve estará próxima dos 3%, essa perspectiva de juro real se torna ainda maior, o que diminui um pouco o mérito de a Selic ter baixado ao seu menor patamar.”

Barriga

O jornalista Joelmir Beting, em comentário na manhã desta quarta-feira (10) para a Rádio Bandeirantes, lembrou que a taxa real média dos 30 principais países emergentes, entre eles o Brasil, está na casa dos 2,7% e que entre os países ricos está em 1,4% negativo. Ele considera que a redução da Selic é saudável para estimular o mercado de crédito a reduzir seus custos para o consumidor e assinala que – inexplicavelmente – os bancos brasileiros ainda sustentam o crédito mais caro do mundo.

Joelmir criticou a repercussão na mídia do PIB negativo divulgado pelo IBGE. Ele disse que o jornal que manchetou que “o país está em recessão” cometeu uma “barriga” (jargão para erro de informação), uma vez que o dado refere-se a três meses atrás. “Neste segundo trimestre a economia já está no azul e deve fechar o ano com crescimento próximo de 2%.”

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