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Economistas afirmam que país não está em recessão

Recuo do PIB do primeiro trimestre não reflete situação atual da economia, segundo Dieese. Para IBGE, conceito depende de mais fatores e análise mais ampla
por Rodrigo Rodrigues, Jornal Brasil Atual publicado 10/06/2009 11h16, última modificação 10/06/2009 11h21
Recuo do PIB do primeiro trimestre não reflete situação atual da economia, segundo Dieese. Para IBGE, conceito depende de mais fatores e análise mais ampla

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou no primeiro trimestre, mas os economistas dizem que o país não está em recessão. Os dados foram divulgados na terça-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram a segunda queda consecutiva do PIB do país. No primeiro trimestre, houve redução de 0,8% em relação ao último trimestre do ano passado.

O órgão não considera que a economia passe por um quadro recessivo. O coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Roberto Olinto, questiona o conceito de recessão técnica baseado em quedas consecutivas do PIB e afirma que esta definição é uma forma simplista de analisar a economia.

"O melhor caminho para compreender efetivamente esse movimento é por meio da atividade do ciclo, considerando todas as variáveis em um período de tempo mais longo” – Roberto Olinto, coordenador de Contas Nacionais do IBGE

“Recessão é um conceito teórico que envolve uma redução da atividade e econômica com vários fatores, [como] renda, emprego, comércio e PIB”, explica. “Então a gente prefere não se posicionar, o melhor caminho para compreender efetivamente esse movimento é por meio da atividade do ciclo, considerando todas as variáveis em um período de tempo mais longo”, completa.

“São todos sinais de que poderemos ter, nos próximos meses, um processo de retomada de ritmo de crescimento semelhante ao que tivemos em 2007 e 2008” – Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese

Para o economista e diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, os números divulgados na terça-feira não refletem a atual fase da economia do país.  Ele destaca que as contas públicas do governo estão bem administradas, a inflação está sob controle e diminuindo e o crédito disponível. Além disso, o mercado de trabalho lentamente vem apresentando resultados positivos de contratação e o setor empresarial indica retomada do investimento. “São todos sinais de que poderemos ter, nos próximos meses, um processo de retomada de ritmo de crescimento semelhante ao que tivemos em 2007 e 2008”, pondera.

Clemente Ganz Lúcio também afirma que, apesar do recuo do PIB no primeiro trimestre deste ano, a queda foi muito menor do que o registrado no quarto trimestre de 2008. Segundo ele, a economia brasileira está muito mais sólida que a de países desenvolvidos, como França, Inglaterra e Estados Unidos.