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Ditadura e democracia

Bolsonaro não é invencível, diz presidente da CUT em ato das centrais por Santo Dias

Representantes de várias entidades comparam o momento atual com a situação política de 40 anos atrás, quando líder metalúrgico foi assassinado durante uma greve
Publicado por Vitor Nuzzi, da RBA
18:19
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Roberto Parizotti/CUT

Sérgio Nobre (CUT) e Miguel Torres (Força Sindical): placa em homenagem a Santo Dias e reflexões sobre tempos difíceis para trabalhadores e movimentos sociais, ontem e hoje

São Paulo –A dois dias de se completarem 40 anos do assassinato de Santo Dias da Silva, dirigentes de centrais sindicais, ativistas de direitos humanos e integrantes da greve de 1979 se reuniram nesta segunda-feira (28) para prestar homenagem ao metalúrgico morto por um policial, com várias comparações sobre aquele período, ainda na ditadura, e o atual, sob um governo inimigo dos movimentos sociais. “Já vencemos a ditadura uma vez. Agora, o desafio é o mesmo. Bolsonaro não é invencível”, afirmou o presidente da CUT, Sérgio Nobre, durante ato realizado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo (Força Sindical), no bairro da Liberdade, região central da capital.

Atingido por um tiro pelas costas no início da tarde de 30 de outubro de 1979, durante piquete na fábrica da Sylvânia, na região de Santo Amaro, zona sul paulistana, Santo era representante da oposição à diretoria do sindicato. No ano anterior, foi candidato a vice-presidente da entidade. Por discordar da política da entidade naquele período, a companheira de Santo, Ana Maria do Carmo Silva, a Ana Dias, disse não se sentir à vontade de participar do ato de hoje, mas agradeceu a homenagem e o convite das centrais sindicais: “Reconhecemos o envolvimento de pessoas boas e comprometidas com a luta que estarão presentes”.

O metalúrgico também era ligado à Pastoral Operária. Paulo Pedrini, membro da pastoral, citou nomes como os de dom Paulo Evaristo Arns e do ex-metalúrgico Waldemar Rossi, além de Manoel Fiel Filho e Olavo Hansen, os dois últimos também mortos pela repressão. “Santo Dias não foi só um militante operário, mas um militante do bairro, da comunidade, um homem de diálogo”, disse Paulo, enfatizando a importância de “colocar as diferenças políticas abaixo dos interesses da classe trabalhadora”.

A unidade entre as centrais, em um momento de adversidade, foi enfatizada nos discursos. “O país está no caminho errado. O inimigo é forte e não podemos nos dividir para enfrentá-lo”, disse Sérgio Nobre. Ele lembrou que a central vai organizar na próxima quarta-feira (30) um ato diante do Ministério da Economia.

“Não existe nada para os trabalhadores e as trabalhadores que não venha com a luta”, afirmou o presidente da Força e do sindicato de São Paulo, Miguel Torres. Ele citou ainda outro metalúrgico vítima da ditadura, Newton Cândido. “Temos uma dívida histórica com ele.”

O deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (SD-SP), ex-presidente da central, disse que enquanto na ditadura a perseguição era feita a pessoas, agora o governo decidiu “destruir a estrutura sindical”. Até o fim do ano, o Executivo deve apresentar um projeto de “reforma” sindical – para isso, constituiu um grupo de “altos estudos”, sem representante de trabalhadores.

Vários dirigentes citaram a “mudança de ares” na América do Sul, com a eleição na Argentina e as manifestações no Chile, além da possível continuidade de governos progressistas no Uruguai e na Bolívia. Para o presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, por exemplo, o atual presidente brasileiro “não vai até o fim do mandato”.

Pela CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha, lembrou que a mobilização dos trabalhadores garantiu liberdades democráticas e direitos de organização sindical e de greve, hoje ameaçados. Para ele, fatores como a reestruturação produtiva e a terceirização – a “precarização” – fazem com que a situação dos trabalhadores seja pior atualmente.

Também participaram dirigentes da CTB, UGT, da Nova Central e das duas entidades que levam o nome de Intersindical. Estavam no evento o ex-ministro de Direitos Humanos Paulo Vannuchi e o vereador paulistano Eduardo Suplicy.


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