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Privatizações: Contagem regressiva para a venda do país

Apetite do governo pela destruição da soberania parece não ter limites. Ou uma ampla articulação da sociedade derrota este governo, ou o Brasil será reduzido a escombros
Publicado por Paulo Donizetti de Souza, da RBA
15:00
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O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou na manhã de hoje a privatização de 17 empresas, entre elas Correios, Eletrobras, Serpro, Dataprev, Casa da Moeda, Telebras e EBC. Em tom bravateiro, Guedes também distribuiu promessas ameaçadoras: “tem gente grande aí que acha que não será privatizado e vai entrar na faca” e “ano que vem tem mais”. A fanfarronice ministerial não tem graça nenhuma. Está em curso mais um gravíssimo ataque à soberania nacional.

No plano de Bolsonaro e Guedes, nem a impressão da própria moeda ficará a cargo do setor público. Para piorar, o governo quer vender tudo imediatamente e já iniciou acelerada contagem regressiva.

• Lucros de empresas alvos de privatização cresceram 132% em 2018

A urgência do governo é um combo de compromisso ideológico com o programa ultraneoliberal, pressão do mercado para banquetear-se no patrimônio brasileiro e a certeza que as contas públicas não fecharão em 2019. Incapaz de esboçar qualquer coisa que se pareça com um plano de desenvolvimento, Guedes tenta disfarçar o próprio fracasso montando um grande feirão de estatais.

Não é preciso muito para saber que o sacolão do governo Bolsonaro não resolve a crise. As reformas trabalhista e da previdência, como é público e notório, não saíram das promessas de investimento e geração de emprego. No horizonte, as demissões decorrentes das privatizações poderão elevar os já aberrantes índices de desemprego e desigualdade social.

Os “argumentos” apresentados por Guedes para justificar o plano seriam risíveis se não fossem puro escárnio. Um governo que muda o diretor da Polícia Federal em retaliação à investigação envolvendo um dos filhos do presidente reclamar de “interferência política na gestão” ultrapassa as raias da desfaçatez.

Mais cara de pau ainda é a defesa da eficiência privada: Mariana e Brumadinho estão aí, esfregando a eficiência nas milhares de vítimas dos crimes da Vale do Rio Doce. Ou a Light, velha conhecida dos cariocas, e seus apagões, aumentos de tarifa e cobrança por estimativa.

A iniciativa soma-se a um conjunto de ataques ao setor público: de um plano de entrega da gestão das universidades federais à iniciativa privada até a drástica redução dos direitos do funcionalismo público.

O pacotaço de Bolsonaro e Guedes reforça a centralidade da luta por soberania. É fundamental retomar um amplo debate sobre o papel das empresas públicas para o manejo de políticas alternativas para enfrentar a crise econômica e a importância do controle público sobre setores estratégicos o elétrico e o de petróleo e gás.

O apetite do governo pela destruição do país parece não ter limites. Ou uma ampla articulação da sociedade derrota este governo e acaba com a farra, ou o Brasil será reduzido a um monte de escombros.