Documentários

Filmes na TVT: ‘Vocacional’ e ‘Não Toque em Meu Companheiro’, tempos inesquecíveis

Cine TVT traz filme de Toni Venturi sobre escolas libertárias em plena ditadura nesta sexta, 22h45; o de Maria Augusta Ramos, sobre uma história de solidariedade, passa no sábado, 21h

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São Paulo – Tempos de mais ousadia, mais solidariedade. Talvez esse seja o ponto em comum entre os filmes que a TVT exibe nesta sexta (23) e sábado (24). Vocacional, uma Aventura Humana, do diretor Toni Venturi, relata hoje, às 23h45, o choque de uma escola libertária com a ditadura militar na década de 1960. Não Toque em Meu Companheiro, documentário de Maria Augusta Ramos, amanhã às 21h, conta uma bela história de companheirismo entre trabalhadores da Caixa durante uma greve em 1991.

Pouco conhecida dos brasileiros, a experiência dos colégios vocacionais é uma página da história da educação brasileira que não pode ser esquecida. Concebido por uma das mais importantes pedagogas contemporâneas, Maria Nilde Mascellani, o projeto tinha uma proposta à frente do seu tempo: fazer o aluno pensar, trabalhar em grupo e desenvolver a sensibilidade artística e habilidades técnicas.

Para Toni Venturi, Vocacional, lançado em 2011, é um das suas obras mais pessoais. “Conto a minha história no ginásio renovador quando foi tragado pela ditadura militar”, lembra o diretor de obras como O Velho – A História de Luiz Carlos Prestes (1997), Dia de Festa (2006) e Rita Cadillac, a Lady do Povo (2010). “Não sei fazer filmes sem entrega absoluta. Não há arte sem paixão”, disse, em entrevista ao site Panorama Mercantil.

Ninguém solta a mão de ninguém

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Um dos filmes da TVT para este fim de semana é “Não Toque em Meu Companheiro”, sobre a solidariedade que manteve durante mais de um ano salários de 110 grevistas demitidos

Uma greve, 110 demitidos injustamente. Esses trabalhadores, desempregados por um ano e 13 dias, poderiam ter ficado à míngua. Mas não em 1991. Não entre os bancários da Caixa Econômica Federal. A solidariedade de outros 35 mil empregados do banco público permitiu que os dispensados pelo então governo de Fernando Collor de Mello sobrevivessem e continuassem a luta contra a ameaça de privatização. Essa é a história de solidariedade do documentário de Maria Augusta Ramos, Não Toque em Meu Companheiro, lançado em julho de 2020, um dos filmes que a TVT exibe neste fim de semana.

“Foi conseguido que a Caixa fizesse o desconto em folha de pagamento e a Fenae (federação dos empregados da Caixa) repassava as doações”, conta Jair Ferreira, um dos dispensados pelo banco por participar da greve, mesmo sendo delegado sindical na agência Londrina. Ao todo eram 50 de São Paulo, 30 de Minas Gerais e 30 do Paraná.

Na direção de filmes como Justiça (2004), Juízo (2008) e O Processo (2018), Guta se comoveu com a história dos trabalhadores da Caixa. “Acho que é um filme que nos comove pela história e nos angustia”, disse. “Não sei sinceramente e muitos dos bancários se perguntam se hoje em dia, se essa mesma história tivesse acontecido, se os trabalhadores seriam capazes da mesma solidariedade. Acho que não, diante dessa mudança nas relações de trabalho, na mentalidade do trabalhador, que já vem acontecendo há anos com essas propostas neoliberais. E não só no Brasil, mas no mundo todo a gente vê isso. Essa consequência do que a gente está vivendo agora.”


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