Literatura

Centenário de Saramago começa com os ‘olhos abertos para o mundo’

Ideia é ressaltar o “pensamento social, político e ético” do escritor, que morreu em 2010, aos 87

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Designer Estrada explica logotipo: “Os olhos de Saramago sempre estiveram muito abertos para ver o mundo, para descrevê-lo e para mudá-lo”

São Paulo – A Fundação José Saramago começou a preparar as atividades para celebrar o centenário de nascimento do escritor português (1922-2010). O primeiro passo foi a escolha do logotipo, criado pelo designer espanhol Manuel Estrada. Segundo Carlos Reis, da comissão do centenário de Saramago, além da homenagem em si, o evento busca a “consolidação da presença do escritor na história cultural e literária, em Portugal e no estrangeiro”.

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Essa consolidação, diz Reis, envolve revisitar a atividade literária e cívica do vencedor do Nobel de Literatura em 1998. “Inclui-se nela a afirmação de uma obra com uma vitalidade inquestionável, bem como a acentuação do pensamento social, político e ético de José Saramago. E também o que desse pensamento ressoa no nosso presente”, afirma. “A Carta dos Deveres e das Obrigações dos Seres Humanos sintetiza, pelo seu espírito e pelos seus efeitos, muito do legado saramaguiano.” Com atividades previstas para diversos país, o programa prevê quatro eixos: biografia (trajetória, formação), leitura (com ampliação de leitores, especialmente jovens), publicações e academia.

Descrever e mudar o mundo

O designer Estrada conta que começou a imaginar o logotipo a partir dos zeros no número 100. “São como os olhos abertos da criança descrita n’As Pequenas Memórias. Os olhos de José Saramago sempre estiveram muito abertos para ver o mundo, para descrevê-lo e para mudá-lo.”

Assim, foram desenvolvidas duas versões. Uma tipográfica, que insere o número na palavra “Saramago”. A outra usa a letra S, a primeira do sobrenome, sugerindo uma cabeça com olhos bem abertos. Estrada defende também o uso da versão em preto e branco. “Não devemos esquecer, é melhor que as coisas importantes sejam escritas a preto e branco, como nas páginas de um livro. Sobretudo agora que vivemos num mundo cheio de ruído e de imagens que dizem menos do que prometem, exatamente o contrário do que a literatura faz.”

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