Contra a maré

Bivolt, empoderada e sobrevivente: ‘O rap é tudo o que sou e conquistei’

Bárbara Bivolt conseguiu se destacar em um cenário dominado por homens e onde a representatividade feminina ainda é um desafio

Alex Takaki/Divulgação
Bárbara Bivolt vive a cultura do hip hop desde seus 15 anos. Diante da falta de representatividade feminina na cena e inserida dentro um espaço dominado por homens, ela conseguiu se destacar.

São Paulo – A rapper Bivolt é exemplo de empoderamento e também sobrevivência – este graças ao movimento hip-hop. Bárbara teve sua formação musical nas calçadas da Batalha do Santa Cruz, realizada na zona sul de São Paulo, o que possibilitou sua maior conquista até então: a indicação ao Grammy Latino de 2020, uma das maiores premiações da academia da música.

Ela vive a cultura do hip hop desde os 15 anos. Diante da falta de representatividade feminina na cena e inserida dentro um espaço dominado por homens, Bárbara Bivolt conseguiu se destacar. Vitoriosa nas batalhas de rima, começou sua carreira solo em 2017, consolidando a partir daí sua imagem dentro do rap.

A existência de Bivolt também é sobrevivência de Bárbara. Além de resistir dentro de um cenário machista, a rapper diz que a música possibilitou deu um sentido à sua vida. “Não sei como não seria minha vida sem a música, não tenho a mínima noção. Foi um dom que me abençoou. O rap é tudo o que sou e conquistei, sendo uma arte que sempre fiz apenas por amor”, explica, ao citar sua rima “Sou o pássaro que aprendeu a cantar por sobrevivência”, no single Entre Tu e Meu Som.

A música deu a ela a força para existir de outras formas, inclusive como empresária de uma marca própria de produtos cosméticos. A rapper acredita que seu empoderamento a levou a ter mais confiança em suas composições.

“Complemento a música ao meu jeito de existir. Sobre a parte de dinheiro, quero ter conforto e paz para poder criar ao máximo. Só alcanço isso ganhando dinheiro, trabalhando. A Bivolt canta por sobrevivência, mas também apendeu a negociar para sobreviver. As pessoas associam o rap ao barato e eu vim mostrar que os MCs são caros. Saber o seu valor é o segredo de tudo”, afirmou.

Da Santa Cruz ao Grammy

Bivolt acredita que toda sua bagagem, seja musical ou de vida, a ajudou a chegar onde chegou. A artista, que já dormiu na rua, também foi a primeira rapper mulher a se apresentar no Rock In Rio, em 2017. Com o álbum homônimo Bivolt, lançado em 2020, alcançou novos patamares. Elogiada pela crítica, foi indicada ao Grammy Latino pelo “Melhor Vídeo Musical Versão Curta”, com a canção Cubana.

Ao mesmo tempo que saber ser visceral e incisiva em suas rimas, Bivolt é capaz de apresentar uma voz potente. No álbum, misturou rap com R&B e soul, por meio de músicas como 110v e 220v, mostrando que seu talento é capaz de transitar entre dois polos distintos de “voltagem”.

Para ela, a Batalha do Santa Cruz foi uma bagagem para entender a cena e também se descobrir. “Aprendi muito, criei pontes. Estou no início de um novo ciclo na minha vida e ter vivido esse ciclo passado fez o que sou hoje. Esse lado mais melódico foi algo que evitada misturar, porque sempre queria fazer rap para recitar a poesia, rimando mais. Porém, nas batalhas, descobri que era possível apresentar o lado mais melódico. Desde então, comecei a buscar um estilo próprio vocal”, conta.

Bivolt diz que a indicação ao Grammy a fez enxergar maiores horizontes para seu futuro. “Meu sonho sempre foi participar de um prêmio internacional e do nada cheguei lá. Acreditava que conseguir chegar nesse nível, mas não tão rápido. Abriu a minha mente para ver meu potencial. Tudo isso durante a pandemia, com a renda cortada de shows, então foi um fôlego a mais para 2021”, comemora.


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